Oferta global recorde derruba preços da soja no Brasil e no mundo em 2025

    Produção recorde no Brasil, recuperação de EUA e Argentina e comércio global aquecido ampliaram a oferta e pressionaram as cotações ao longo do ano

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    (Foto: Jaelson Lucas / Arquivo AEN)

    (Foto: Jaelson Lucas / Arquivo AEN)

    29deDezembrode2025ás09:50

    O mercado de soja foi marcado por elevada volatilidade ao longo de 2025, em um cenário de ampla oferta global, disputas comerciais entre China e Estados Unidos, mudanças na política de “retenciones” na Argentina e expansão da demanda em diversos países.

    Ainda assim, as cotações médias figuraram entre as mais baixas  dos últimos anos, tanto no Brasil quanto no mercado internacional.

    Os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá (PR) e CEPEA/ESALQ Paraná registraram, em 2025, as menores médias anuais desde 2019, em termos reais.

    No mercado externo,  o contrato de primeiro vencimento da soja negociado na CME Group apresentou a menor média anual desde 2020.

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    No Brasil, apesar de o ano ter começado com o menor estoque de passagem das últimas quatro safras, o avanço acelerado da colheita 2024/25 confirmou uma produção recorde de 171,48 milhões de toneladas.

    A quebra registrada no Rio Grande do Sul foi compensada pela elevada produtividade nos demais estados, o que ampliou a disponibilidade interna e aumentou a liquidez do mercado spot.

    Desempenho

    Com esse desempenho, o País respondeu por cerca de 40% da produção mundial, estimada em 427,15 milhões de toneladas pelo USDA. Argentina e Estados Unidos também apresentaram recuperação expressiva, alcançando os maiores volumes desde a safra 2021/22.

    Os EUA colheram 119,04 milhões de toneladas, crescimento de 5% em relação à temporada anterior, enquanto a Argentina produziu 51,1 milhões de toneladas, avanço de 6%. Outros países também atingiram volumes recordes, reforçando o cenário de ampla oferta global.

    Demanda

    Pelo lado da demanda, o desempenho também foi relevante.

    A China importou 108 milhões de toneladas, volume 3,5% inferior ao da safra anterior, mas esse recuo foi compensado pela expansão das compras em outros destinos.

    No total, o comércio mundial de soja atingiu 184,8 milhões de toneladas na safra 2024/25, alta de 3,9%, com o Brasil respondendo por 55,8% das exportações globais.

    Os embarques brasileiros alcançaram um novo recorde em 2025. A China permaneceu como principal destino, com participação de 78,3% entre janeiro e novembro.

    Ao longo do ano, chamou atenção a forte ampliação das importações argentinas de soja brasileira, que avançaram 73,5%, um movimento atípico e relevante no fluxo comercial do grão.

     

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