Preço do cacau cai até 75% e Pará e Bahia pedem restrição às importações
Queda abrupta na cotação da amêndoa mobiliza produtores, protestos e articulações políticas em defesa da cadeia produtiva nacional.
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Produtores de cacau se mobilizam em Medicilândia (PA) e cobram medidas para garantir preço justo e proteção à produção nacional.
A crise que tem se mostrado mais forte, até este momento de 2026, é a que envolve o mercado do cacau, matéria-prima essencial para chocolate e derivados. O problema acendeu o alerta em produtores do setor e já impacta decisões na esfera política.
Depois de anos de preços historicamente elevados, a cotação da amêndoa começou a cair de forma acentuada nas últimas safras, refletindo um cenário global de oferta maior que a demanda e pressão competitiva das importações.
Essa combinação é o prenúncio de uma tempestade perfeita que deixa descobertos cacauicultores, principalmente na Bahia e no Pará, grandes polos de produção no país, que já veem suas rendas serem afetadas seriamente.
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Queda nos preços e pressões do mercado
O valor pago ao produtor tem recuado fortemente. Na Bahia, por exemplo, a arroba do cacau, que chegou a ser negociada em mais de R$ 1.200 em 2024, despencou para cerca de R$ 240 a R$ 250 em janeiro de 2026, uma queda que produtores classificam como “dramática”.
Eles atribuem parte dessa desvalorização à entrada de grandes volumes de cacau importado, especialmente da África, que amplia a oferta e reduz a competitividade do produto nacional.
Além disso, no mercado internacional, os preços da amêndoa também têm registrado quedas seguidas em bolsas mundo afora, refletindo efeitos de remoção de tarifas e mudanças regulatórias que pressionam as cotações ao nível mais baixo em dois anos.