“Preparem-se para petróleo a US$ 200 o barril”, alerta Irã ao mundo
Escalada da guerra no Oriente Médio inclui ataques a navios no Golfo Pérsico e ameaça ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz
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O Irã alertou que o mundo deve “se preparar para petróleo a US$ 200 o barril”, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. A declaração ocorre enquanto forças iranianas atingem navios mercantes no Golfo Pérsico e cresce o temor de interrupção no fornecimento global de energia, levando a Agência Internacional de Energia (AIE) a recomendar a liberação de reservas estratégicas.
A guerra, desencadeada por ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e de Israel há quase duas semanas, já deixou cerca de 2 mil mortos, a maioria iranianos e libaneses. O conflito se espalhou para o Líbano e provocou turbulência nos mercados globais de energia e transporte.
Apesar de o Pentágono ter descrito os bombardeios como os mais intensos desde o início da guerra, o Irã respondeu com novos ataques contra Israel e alvos em diferentes pontos do Oriente Médio nesta quarta-feira (11), demonstrando que ainda mantém capacidade de reação.
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No Golfo Pérsico, três embarcações teriam sido atingidas. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que suas forças abriram fogo contra navios que teriam desobedecido ordens emitidas pelas autoridades militares.
Apesar da escalada militar, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que a operação “continuará sem limite de tempo, até que sejam atingidos todos os objetivos e seu país a campanha”.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que o conflito pode não se prolongar por muito tempo. Em entrevista por telefone ao site Axios, ele disse que “não havia praticamente mais nada” para atingir no Irã.
“Quando eu quiser que ela termine, ela terminará”, afirmou.
A ABC News informou que o FBI alertou sobre a possibilidade de drones iranianos atacarem a costa oeste dos Estados Unidos. Trump, porém, disse não estar preocupado com a hipótese de ataques iranianos em território norte-americano.
Mais tarde, o presidente declarou a repórteres que as forças dos EUA destruíram 28 navios iranianos capazes de lançar minas, e afirmou que os preços do petróleo devem cair.
Riscos para infraestrutura energética
O Departamento de Estado dos Estados Unidos também alertou que o Irã e milícias alinhadas podem estar planejando ataques contra infraestruturas de petróleo e energia de propriedade norte-americana no Iraque.
Segundo o governo norte-americano, milícias já teriam atacado hotéis frequentados por cidadãos dos EUA em várias regiões do país, inclusive no Curdistão iraquiano.
Autoridades de Washington e de Israel afirmam que o objetivo da ofensiva é eliminar a capacidade do Irã de projetar força além de suas fronteiras e destruir seu programa nuclear.
Petróleo sobe e bolsas caem
Os mercados reagiram imediatamente ao aumento das tensões. O preço do petróleo, que chegou perto de US$ 120 por barril no início da semana antes de recuar para cerca de US$ 90, voltou a subir quase 5% nesta quarta-feira, diante do temor de interrupções no fornecimento global.
Ao mesmo tempo, os principais índices de Wall Street registraram queda.
Nos dias anteriores, as bolsas haviam se recuperado com a aposta de investidores de que Trump buscaria uma saída rápida para o conflito.
Entretanto, novos ataques envolvendo drones e mísseis iranianos contra portos e cidades nos Estados do Golfo e contra alvos em Israel indicam que os combates podem continuar, aumentando a pressão de países como Turquia e nações europeias por um cessar-fogo.
Um oficial militar israelense afirmou que as forças armadas ainda possuem uma extensa lista de alvos no Irã, incluindo mísseis balísticos e instalações ligadas ao programa nuclear.
Estreito de Ormuz sob ameaça
Até agora, não há sinais de que navios possam navegar com segurança pelo Estreito de Ormuz, corredor estratégico ao longo da costa iraniana responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Trump declarou que os navios “deveriam” transitar pelo estreito, mas fontes afirmam que o Irã teria instalado cerca de uma dúzia de minas marítimas, agravando o bloqueio.
Os militares dos Estados Unidos orientaram o Irã a manter distância de portos que abrigam instalações da Marinha iraniana. Em resposta, as forças armadas iranianas advertiram que, caso esses portos sejam ameaçados, centros econômicos e comerciais da região serão considerados “alvos legítimos”.
AIE recomenda liberação de reservas
Com os preços dos combustíveis já subindo em alguns países e o Partido Republicano enfrentando dificuldades nas pesquisas antes das eleições legislativas de novembro, o preço do petróleo tornou-se um fator central nas decisões estratégicas relacionadas ao conflito.
A Agência Internacional de Energia recomendou a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais, a maior intervenção desse tipo já registrada, proposta rapidamente apoiada por Washington.
O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, afirmou à CNBC que empresas petrolíferas norte-americanas devem anunciar em breve aumento da produção, reagindo aos atuais “sinais de preço”.
Mesmo assim, especialistas apontam que a velocidade com que os países conseguem liberar essas reservas varia, e que o volume previsto representaria apenas uma fração do petróleo transportado diariamente pelo Estreito de Ormuz.
Irã promete choque econômico
Autoridades iranianas indicaram que pretendem provocar um impacto econômico prolongado.
“Preparem-se para que o petróleo chegue a US$200 o barril, porque o preço do petróleo depende da segurança regional, que foi desestabilizada por vocês”, afirmou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar do Irã, em declaração direcionada a Washington.
Após um banco em Teerã ser atingido durante a noite, Zolfaqari disse que o Irã responderá com ataques contra instituições financeiras que realizem negócios com os Estados Unidos ou Israel.
Segundo ele, pessoas em todo o Oriente Médio devem manter distância mínima de mil metros de bancos.
Ataques a navios aumentam tensão
No mar, um navio graneleiro de bandeira tailandesa foi incendiado, obrigando a tripulação a abandonar a embarcação. Três pessoas continuam desaparecidas e estariam presas na sala de máquinas.
Outros dois navios — um porta-contêineres japonês e um graneleiro registrado nas Ilhas Marshall — também sofreram danos provocados por projéteis.
Com isso, chega a 14 o número de navios mercantes atingidos desde o início da guerra.