Produtor muda manejo e faz produção de leite saltar 159% em SP

    Reorganização da propriedade, adoção de sistema silvipastoril e apoio técnico elevaram produção de 270 para 700 litros por dia no pico

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    Produtor muda manejo e faz produção de leite saltar 159% em SP
    20deAbrilde2026ás13:53

    No Sítio Esperança, em Lagoinha, a rotina do produtor rural Causio Giovani Figueira, de 43 anos, mudou junto com a paisagem da propriedade.

    O que antes era um sistema pouco estruturado, com produção limitada, passou a operar em outro patamar após a adoção de novas práticas de manejo  e a entrada no Programa Refloresta SP, em novembro de 2024.

    O impacto veio rápido e de forma concreta. A produção de leite, que girava entre 270 e 300 litros por dia, atingiu 700 litros diários no pico, um salto de aproximadamente 159%.

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    O sítio trabalhava com 25 vacas em lactação até 2024, mas sem um sistema organizado de manejo de pastagens. Faltava divisão adequada dos piquetes e, principalmente, acesso à água em todas as áreas.

    Na prática, isso limitava o desempenho do rebanho e a eficiência da produção.

    A virada: organização, manejo e integração

    A mudança começou com a reorganização da propriedade e a entrada de oito novilhas — filhas das próprias vacas — elevando o rebanho para 33 animais em lactação.

    Ao mesmo tempo, foram implantados 13,25 hectares de sistema silvipastoril, modelo que integra árvores, pastagem e criação de gado na mesma área. A estratégia trouxe ganhos diretos: melhoria do solo, sombreamento para os animais e maior eficiência no uso da terra.

    As intervenções incluíram ainda a ampliação dos piquetes, instalação de bebedouros e plantio de mudas, além de ações de restauração em 1,77 hectare e conservação de 0,74 hectare de vegetação nativa.

    Resultado: mais produção, mesmo fora do pico

    Com o sistema ajustado e apoio técnico no manejo das pastagens, a produção avançou rapidamente. No auge, chegou a 700 litros por dia — limite da capacidade atual de armazenamento da propriedade.

    “Foi um momento de grande produção. Meu tanque é de 700 litros por dia e chegou no limite, faltaram poucos litros para derramar. Agora já preciso estudar comprar um tanque maior, porque entram mais animais e a produção continua aumentando”, afirma Figueira.

    Mesmo fora do pico de lactação, o desempenho se mantém elevado: a média atual é de 550 litros diários, volume cerca de 103% superior ao registrado antes das mudanças.

    Aprendizado técnico como ponto de virada

    Para o produtor, o conhecimento técnico foi determinante para a transformação.

    “Eu não conhecia as técnicas de manejo de pastagem. Achava que água para o gado era só no mangueiro ou no rio. Com orientação, colocamos água em todos os piquetes e organizamos o sistema. Isso mudou tudo.”

    PSA garante fôlego financeiro e novos investimentos

    Outro fator decisivo foi o acesso ao mecanismo de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), desenvolvido pelo Governo de São Paulo, que remunera produtores pela conservação de recursos naturais como água, solo e biodiversidade.

    O incentivo trouxe previsibilidade e abriu espaço para novos investimentos dentro da propriedade.

    “Antes eu dependia só da produção para fazer qualquer melhoria. Com o PSA, consegui investir em irrigação e melhorar as nascentes. A água era pouca e hoje a gente vê diferença. O biodigestor também melhorou, porque os dejetos passaram a ter tratamento adequado.”

    O investimento previsto no Sítio Esperança é de R$ 70,4 mil, sendo R$ 20,4 mil já executados.

    Projeto amplia escala na região

    A propriedade também integra o Projeto Vale + Verde, desenvolvido no Vale do Paraíba com recursos do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição (Fecop).

    O contrato foi firmado em abril de 2024 com o Consórcio Intermunicipal Três Rios e prevê investimento de R$ 11,4 milhões ao longo de três anos, com foco na conservação da vegetação nativa e na recuperação de áreas degradadas.

     

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