Tarifaço dos EUA: café, carne e petróleo escapam da taxa de 25%; veja a lista
Medida entra em vigor em 22 de julho. Governo recorrerá à OMC e acionará a Lei da Reciprocidade
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Os Estados Unidos oficializaram nesta quarta-feira (15) a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, mas preservaram alguns dos principais itens da pauta exportadora do país, como café, carne bovina, petróleo, celulose e aeronaves.
A medida passa a valer em 22 de julho e amplia a tensão comercial entre os dois países. Em resposta, o governo brasileiro anunciou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC), acionará a Lei da Reciprocidade Econômica e ampliará medidas de apoio aos setores afetados.
A medida é resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Estimativas preliminares indicam que mais de 4 mil produtos brasileiros poderão ser atingidos, em uma corrente anual de exportações próxima de R$ 76 bilhões.
O que muda na prática
A sobretaxa será acrescida ao imposto de importação normalmente aplicado pelos Estados Unidos sobre cada mercadoria.
Produtos embarcados antes das 0h01 de 22 de julho, no horário da costa leste americana, poderão escapar da cobrança, desde que sejam liberados para consumo ou retirados de armazéns alfandegados até 29 de julho. Após esse prazo, todos os produtos que não constam na lista de exceções estarão sujeitos à tarifa adicional de 25%.
Exportadores e importadores terão poucos dias para revisar contratos, antecipar embarques e recalcular custos antes da entrada em vigor da medida.
Produtos estratégicos ficaram fora da sobretaxa
Apesar da abrangência da decisão, o governo americano retirou da lista diversos produtos considerados estratégicos para sua economia ou cuja oferta doméstica é insuficiente.
Entre eles estão o café verde, torrado, descafeinado e o café solúvel sem sabor, além de extratos e preparações à base de café. A inclusão do café solúvel representa uma mudança em relação à proposta inicial, após manifestações da indústria brasileira, que argumentou que a cobrança elevaria os custos da indústria americana sem estimular uma produção local capaz de substituir o café brasileiro.