Fim da Moratória da Soja pode ampliar desmatamento da Amazônia em 1,4 milhão de hectares, diz Science

Artigo publicado na revista científica estima aumento de 17% no desmatamento histórico da Amazônia caso o acordo deixe de existir e alerta para impactos ambientais, econômicos e jurídicos

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Colheitadeira realiza a colheita de soja em lavoura ao lado de área de vegetação nativa, em imagem que representa o debate sobre a Moratória da Soja e o desmatamento da Amazônia.

Lavoura de soja próxima à vegetação nativa; estudo publicado na Science alerta para os impactos ambientais de um eventual fim da Moratória da Soja.

17deJulhode2026ás17:30

O fim da Moratória da Soja pode provocar o desmatamento de mais 1,4 milhão de hectares da Amazônia nos próximos dez anos, segundo um estudo publicado na revista científica Science.

A estimativa representa um aumento de 17% em relação às taxas históricas de desmatamento da região.

Caso esse cenário se confirme, a perda florestal produziria cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume semelhante ao total de emissões anuais do Canadá.

A Moratória da Soja é um acordo voluntário firmado entre empresas, governo e organizações da sociedade civil que impede a compra de soja produzida em áreas da Amazônia desmatadas após 2008.

O estudo reúne pesquisadores da WWF-Brasil, Greenpeace Brasil, Land Conservation Association e das universidades de Wisconsin e Illinois, nos Estados Unidos.

Pressão sobre áreas públicas

Além de elevar o desmatamento, o fim da Moratória pode intensificar a pressão sobre regiões com potencial de expansão agrícola e maior vulnerabilidade à especulação fundiária.

Segundo o estudo, até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas podem ser impactados, especialmente em áreas com potencial de receber novas obras de infraestrutura.

Os autores também analisaram os resultados já alcançados pela Moratória. Nos primeiros dez anos de vigência, o acordo reduziu em 35% o desmatamento em áreas consideradas de risco para a expansão da soja, evitando a perda estimada de 1,8 milhão de hectares de floresta.