Preços pagos ao produtor recuam 9,5% no primeiro semestre, pressionados por café, cana e grãos

    Índice do Cepea mostra queda generalizada entre os principais grupos agropecuários, com destaque para café, cana-de-açúcar, arroz, milho e trigo

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    Produtor espalha grãos de café durante a secagem em terreiro após a colheita.

    Produtor realiza a secagem de café em terreiro. A queda nas cotações do grão contribuiu para o recuo de 9,52% do IPPA/Cepea no primeiro semestre de 2026. Foto Wenderson Araujo

    20deJulhode2026ás17:37

    O IPPA/Cepea (Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários) recuou 9,52% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

    A retração dos preços recebidos pelos produtores rurais no Brasil foi menor do que a registrada pelo índice internacional de alimentos do Fundo Monetário Internacional (FMI Food & Beverage Index, em reais), que apresentou queda de 10,64% na mesma base de comparação.

    De acordo com pesquisadores do Cepea, o desempenho negativo do IPPA no primeiro semestre foi influenciado pelas retrações registradas em todos os subgrupos do índice.

    O principal destaque foi o IPPA-Cana-Café/Cepea, que caiu 22,51%, refletindo as fortes desvalorizações do café, de 27,4%, e da cana-de-açúcar, de 19%.

    Segundo pesquisadores da área de café do Cepea, a queda nas cotações ao longo do semestre refletiu o otimismo em relação à oferta global para a safra 2026/27, impulsionado principalmente pelas projeções de uma boa colheita no Brasil.

    Além disso, a partir de maio, o avanço da colheita de café arábica da temporada 2026/27, cuja produção deve ser recorde, intensificou a pressão sobre os preços.

    Os pesquisadores destacam, porém, que a desvalorização acumulada não foi ainda maior porque, em junho, as chuvas registradas no Brasil aumentaram as incertezas sobre a qualidade da safra, dando sustentação às cotações do grão.

    Grãos acumulam perdas, com destaque para o arroz

    No IPPA-Grãos/Cepea, a queda foi de 9,49%, influenciada pela desvalorização de todas as principais culturas na comparação entre os primeiros semestres de 2026 e de 2025.

    As maiores retrações foram observadas no arroz (-29,2%), seguido por trigo (-15,34%), milho (-13,93%), algodão (-9,49%) e soja (-4,33%).

    Entre os produtos, o arroz chamou a atenção pelo desempenho negativo. Segundo pesquisadores do Cepea, os preços da cultura iniciaram um movimento consistente de queda ao longo de 2025 e permaneceram em patamares baixos durante o primeiro semestre de 2026. De acordo com o centro de pesquisas, os valores praticados atualmente são insuficientes para recompor a rentabilidade da atividade.

    Hortifrutícolas e pecuária também registram retração

    O IPPA-Hortifrutícolas/Cepea recuou 4,7%, refletindo principalmente as quedas nos preços da laranja (-51,4%) e da uva (-15,5%).

    Por outro lado, alguns produtos apresentaram valorização no período, como a batata (26%), o tomate (24,8%) e a banana (27,8%).

    Na pecuária, o IPPA-Pecuária/Cepea registrou queda nominal de 4,34%. O resultado foi influenciado pelas desvalorizações do frango (-14,74%), do suíno (-23,07%), do leite (-14,14%) e dos ovos (-18,30%).

    Em sentido contrário, a arroba bovina acumulou valorização de 8,92% no primeiro semestre de 2026.

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