Temporal leva Governo de SP a mobilizar força-tarefa para avaliar prejuízos no agro na região de Ribeirão Preto
Enquanto o governo estadual levanta os prejuízos causados às propriedades rurais, o governo federal anunciou recursos para ajudar na reconstrução das áreas atingidas pelo temporal
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Técnicos da Secretaria de Agricultura percorrem propriedades rurais para avaliar os impactos provocados pelo temporal e orientar medidas de apoio aos produtores.
Lavouras, estufas e estruturas rurais danificadas pelo forte temporal que atingiu o interior de São Paulo levaram o Governo de São Paulo a mobilizar uma força-tarefa para medir os prejuízos na produção agropecuária da região de Ribeirão Preto.
Técnicos da Secretaria de Agricultura estão em campo para avaliar as perdas e subsidiar a adoção de medidas emergenciais de apoio aos produtores afetados.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento iniciou, na última sexta-feira (24), o levantamento dos danos provocados pela tempestade, marcada por chuva intensa, granizo e fortes rajadas de vento, que atingiu diversos municípios da região.
Técnicos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) percorrem propriedades rurais para identificar e dimensionar os prejuízos à produção e à infraestrutura, além de prestar orientação aos agricultores e reunir informações que servirão de base para a definição das ações de apoio.

O levantamento preliminar da Secretaria aponta Taquaritinga como o município com a situação mais crítica no meio rural até o momento. Há registros de perdas em estufas, lavouras, pomares e estruturas de propriedades.
Também foram identificados impactos em canaviais, estoques de amendoim e instalações produtivas nas regiões de Ribeirão Preto e Jaboticabal.
Em Guariba, o levantamento ainda está em andamento. O município permanece isolado em razão dos estragos provocados pela tempestade, o que dificulta o acesso das equipes e a conclusão da avaliação dos danos.
Entre as culturas afetadas nos levantamentos preliminares estão citros, goiaba, manga, abacate, feijão, girassol e hortaliças. Até o momento, não há estimativa da área atingida nem do valor financeiro dos prejuízos.
"Quem é produtor rural sabe o que é olhar para a lavoura depois de uma tempestade dessas e tentar entender o tamanho do prejuízo. É um momento de muita preocupação para quem trabalha e vive da produção. Agora é hora de estar perto, ouvir cada produtor e trabalhar juntos para superar esse desafio. Nossas equipes estão no campo levantando os danos para que a gente possa entender cada situação e definir as formas de apoio", afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho.
Força-tarefa reúne 21 técnicos
A operação mobiliza 21 técnicos em campo, sendo 13 da CATI Regional de Ribeirão Preto e oito da Regional de Jaboticabal, além de três profissionais responsáveis pelo apoio aos levantamentos e à consolidação das informações.
O trabalho inclui vistorias presenciais e coleta de dados junto a produtores rurais, Casas da Agricultura, prefeituras, Defesas Civis, sindicatos, cooperativas, associações, usinas e empresas do setor.
Somente em Taquaritinga, mais de 20 produtores já haviam sido contatados pelas equipes.
A CATI também disponibilizou um formulário eletrônico para padronizar o registro dos danos em lavouras, pastagens, criações, máquinas e infraestrutura rural.
Produtores afetados podem preencher o formulário por meio deste link disponibilizado pela Secretaria de Agricultura.
Governo avalia medidas emergenciais
Paralelamente às vistorias, a Secretaria de Agricultura consolida as informações que poderão subsidiar a criação de uma linha emergencial de crédito por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP).
Também estão em análise alternativas como a prorrogação de parcelas de financiamentos e mecanismos voltados à recuperação de estruturas danificadas. Para agroindústrias atingidas, a Secretaria informou que poderá avaliar, em conjunto com a Desenvolve SP, medidas específicas de apoio.
O levantamento seguirá sendo atualizado conforme o avanço das vistorias. A prioridade é identificar, propriedade por propriedade, as culturas afetadas, a intensidade dos danos e as necessidades para a recuperação da atividade produtiva.
Temporal também deixou rastro de destruição nas cidades
Além dos prejuízos no campo, a tempestade provocou danos expressivos nas áreas urbanas dos municípios atingidos.
Guariba está entre as cidades mais afetadas. Segundo o prefeito Francisco Dias Mançano Junior, entre 60% e 70% das casas do município foram danificadas.
"Tem aproximadamente 60% a 70% das casas do município destruídas. Todas. Todo local que havia uma quadra coberta foi embora. Está retorcido. Nós tínhamos um grande galpão (...) galpão do agronegócio, não sobrou nada, mas nada mesmo", disse durante encontro com representantes municipais e o vice-presidente Geraldo Alckmin, realizado em Ribeirão Preto no fim de semana.
De acordo com a Defesa Civil Nacional, a tempestade provocou chuvas intensas, rajadas de vento de até 70 km/h e descargas atmosféricas, causando danos significativos à infraestrutura urbana de Ribeirão Preto.
Uma pessoa morreu após uma estrutura desabar sobre uma residência, enquanto outra ficou ferida. Até sábado (25), eram contabilizadas 370 famílias desalojadas e duas desabrigadas.
Também foram registrados destelhamentos, quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica, comprometimento do abastecimento de água, bloqueios de vias públicas e danos em unidades de saúde e outros prédios públicos. O Corpo de Bombeiros atendeu cerca de 250 ocorrências relacionadas ao desastre.
Segundo a Prefeitura de Ribeirão Preto, 41 escolas sofreram danos estruturais, sendo cinco com comprometimento severo. Na área da saúde, 29 prédios foram atingidos, incluindo 20 unidades básicas de saúde (UBSs). A administração municipal informou que os recursos necessários para reconstrução da estrutura pública superam a capacidade financeira do município.
Alckmin anuncia apoio federal
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, esteve em Ribeirão Preto neste sábado (25) e informou que, após o reconhecimento da situação de emergência dos municípios atingidos, o governo federal iniciará os repasses para auxiliar na reconstrução das áreas afetadas.
Segundo Alckmin, os recursos serão destinados à ajuda humanitária, com alimentos, colchões, kits de limpeza e kits dormitório, além da reconstrução de prédios públicos e moradias.
O vice-presidente também informou que as famílias afetadas poderão solicitar à Caixa Econômica Federal a liberação de até 50% dos recursos disponíveis no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
"O governo não manda a cesta de alimentos, não manda o colchão, ele manda o dinheiro e deposita para a prefeitura. Quem faz as compras é o município", destacou Alckmin.
Enquanto as equipes seguem em campo, os levantamentos continuam sendo atualizados para dimensionar os prejuízos e orientar tanto as medidas de apoio aos produtores rurais quanto as ações de recuperação dos municípios atingidos.