Agricultura 4.0 no Brasil avança com aplicações adaptadas à realidade de conexão no país

A tecnologia aplicada no campo trouxe um conjunto de soluções para monitorar os processos e auxiliar na tomada de decisões mais assertivas, contribuindo para aumentar os rendimentos das lavouras e das criações

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Agricultura 4.0 no Brasil avança com aplicações adaptadas à realidade de conexão no país
11deJaneirode2022ás16:29

O produtor rural brasileiro tem investido cada vez mais em tecnologia para aumentar a produtividade do campo. A Agricultura 4.0 trouxe um conjunto de soluções tecnológicas para monitorar os processos e auxiliar na tomada de decisões mais assertivas, aumentando os rendimentos das lavouras e das criações. Apesar de enfrentar algumas barreiras relacionadas ao acesso à internet, muitas soluções já estão em prática em propriedades rurais espalhadas pelo país.

O conceito de Agricultura 4.0 é relativamente novo, surgiu na Europa por volta de 2011. A ideia segue, com as devidas características, a mesma lógica da Revolução Industrial 4.0. Em relação ao campo, as quatro fases, resumidas, podem ser descritas assim: na Agricultura 1.0, os alimentos eram produzidos manualmente ou com tração animal; na 2.0, ocorreu a mecanização do campo; na 3.0, surgiu a agricultura de precisão, conhecida pelo uso de GPS, softwares, mapeamento das colheitas etc; e na 4.0, as fazendas passam a utilizar a integração e a conexão das tecnologias e equipamentos, em tempo real, para monitorar as produções.

De olho nesse nicho de mercado, os fornecedores de tecnologia, nacionais ou internacionais, aumentaram sua presença no Brasil. O mesmo ocorreu com o número de startups que oferecem soluções direcionadas ao agronegócio. A presença de mais players no segmento facilita o acesso aos equipamentos de última geração e torna a agricultura 4.0 mais presente no dia a dia do campo.  “A concorrência entre os fornecedores colabora para redução dos custos dos insumos da Agricultura 4.0”, afirma Matheus Ferreira, coordenador de inovação do Sistema Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

No entanto, para o desenvolvimento pleno da Agricultura 4.0 é preciso aumentar o acesso à internet no campo. “Tem produtor que investe entre R$ 1 milhão a R$ 2 milhões em um maquinário e só consegue usar 40% da capacidade por falta de conexão à internet. O Brasil precisa disponibilizar a rede nesses locais, a preços acessíveis, para ter mais êxito nas atividades agropecuárias”, pontua o coordenador de Inovação do Sistema CNA/Senar.

O produtor brasileiro tem abertura para o uso das ferramentas digitais. A popularização dos celulares e o acesso às mídias digitais colaboraram com esse processo. Atualmente, segundo a 8ª Pesquisa Hábitos do Produtor Rural, da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), 94% dos produtores possuem smartphones, na pesquisa anterior, realizada em 2017, eram 61%. A ABMRA ouviu 3.048 produtores rurais de 16 estados do Brasil.

Soluções

A AgroUp, Rede Nacional de Inovação para o Agronegócio do Senar, conecta os produtores às inovações tecnológicas e assim proporciona mais eficiência às atividades rurais. O projeto visa a mapear problemas e propor soluções relacionadas às ferramentas da Agricultura 4.0. As ações são realizadas na Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia, Rio Grande do Sul e Goiás.

Por meio do AgroUp, após pedido feito por produtores rurais, o Senar lançou em dezembro um curso sobre utilização de drones. Outros hospedados na plataforma EAD discorrem sobre a agricultura digital com linguagem mais objetiva para facilitar a implantação das tecnologias nas propriedades rurais. “O ecossistema de inovação das startups tem se consolidado. O Brasil está bem em termos de tecnologia para o campo, muitas soluções são pensadas, discutidas e oferecidas aos produtores rurais”, explica Matheus Ferreira.

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