Ficou claro: o Brasil vai liderar o mercado mundial de alimentos, fibras e bioenergia

Anos seguidos de expansão do campo estão interiorizando o desenvolvimento brasileiro, historicamente ligado à costa atlântica. Por Xico Graziano

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Ficou claro: o Brasil vai liderar o mercado mundial de alimentos, fibras e bioenergia
07deJaneirode2022ás16:52

Quando parecia que havia acalmado, a pandemia ganhou nova força. Assim, surpreendidos pela segunda onda de Covid-19, os agricultores brasileiros começaram o ano de 2021. Assustados, preocupados, incertos.

Mas, como antes, o agro não parou. A agropecuária não pode parar. As pessoas, mesmo enclausuradas, não vivem sem alimentos. E os produtores rurais, espalhados pelo território, trabalham ao ar livre, poeira e sol. Pau na máquina.

O mundo vivia certa insegurança alimentar devido, principalmente, à peste suína na China, que dizimou metade dos porcos. O mercado de carnes se aqueceu. Junto, puxou a soja e o milho, componentes das rações animais.

Com a paradeira causada pela Covid-19, faltou matéria-prima e subiram os preços de todas as commodities. No Brasil, o dólar valorizou. Resultado: as vendas externas remuneraram, em reais, muito bem o agronegócio. As receitas das exportações agrícolas devem aumentar cerca de 20% em 2021.

No terceiro trimestre, segundo o IBGE, o PIB agrícola recuou 8% em relação ao segundo trimestre. É sazonal. Deve-se às perdas na colheita de milho (estiagem), queda na safra de café (bienalidade), de cana-de-açúcar e certo recuo na pecuária bovina.

Considerando o ano todo, dados do Ministério da Agricultura estimam crescimento do VBP (Valor Bruto da Produção) de 9,9% em 2021. As lavouras, que compõem 67,6% do VPB, foram melhor, com crescimento de renda de 11,8%; na pecuária (32,4% do VPB), um pouco abaixo, com 6,2%. Destaque para o trigo, safra recorde (7,7 milhões de toneladas) em 2021.

Em plena pandemia, continuou em 2021 o avanço tecnológico do agro. A venda de fertilizantes deverá atingir o recorde de 43,8 milhões de toneladas. Máquinas e implementos agrícolas cresceram 35,9%. Produtividade rural em alta.

Surgiram as biofábricas, permitindo incrementar o controle biológico de pragas. O ano terminou fazendo o agro dialogar com a sustentabilidade, após a realização da COP 26, em Glasgow (Escócia). A agenda do baixo carbono veio para ficar.

Na política fundiária, o INCRA começou, de verdade, a titular assentados de reforma agrária. Desde 2019 até maio de 2021, cerca de 158 mil títulos provisórios e definitivos foram emitidos. A meta é atingir 200 mil títulos ao final do ano.

Em outubro, os tratores zuniram para os novos plantios. A chuva demorou um pouco, mas depois ajudou. Segundo o último levantamento da Conab, a produção agrícola brasileira deve chegar a 290 milhões de toneladas na safra 2021/2022, um aumento de 14,7% em relação à safra anterior. Significa mais 37 milhões de toneladas de grãos.

No geral, todas as cadeias produtivas do agro mantiveram sua ascensão, umas mais, outras menos. E quando o agro vai bem, todo o interior se aquece. Anos seguidos de expansão do campo estão interiorizando o desenvolvimento brasileiro, historicamente ligado à costa atlântica.

Em 2021, ficou claro: o Brasil vai liderar o mercado mundial de alimentos, fibras e bioenergia.

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