Exportações de café do Brasil caem 23,5% em fevereiro

    Receita cambial supera US$ 1 bilhão no mês, enquanto embarques do ano-safra acumulam retração, segundo relatório do Cecafé

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    Exportações de café do Brasil caem 23,5% em fevereiro
    11deMarçode2026ás11:54

    As exportações de café do Brasil somaram 2,618 milhões de sacas de 60 kg em fevereiro, gerando receita cambial de US$ 1,062 bilhão, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    Na comparação com o mesmo mês de 2025, os embarques caíram 23,5% em volume e 14,7% em receita.

    Apesar do recuo mensal, o desempenho no acumulado da safra ainda sustenta resultado positivo em valores. Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, período que corresponde aos oito primeiros meses do ano-safra 2025/26, o Brasil exportou 26,038 milhões de sacas, o que representa queda de 22,6% em relação ao mesmo intervalo da safra anterior. 

    Por outro lado, a receita cambial avançou 5,3%, alcançando US$ 10,301 bilhões no período.

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    No primeiro bimestre de 2026, as remessas brasileiras de café ao exterior somaram 5,410 milhões de sacas, volume 27,3% menor que o registrado nos dois primeiros meses de 2025. 

    Em valores, a redução foi mais moderada. Os ingressos cambiais passaram de US$ 2,575 bilhões no início do ano passado para US$ 2,241 bilhões no mesmo período deste ano, queda de 13%. 

    O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, afirma que o recuo nas exportações ocorre principalmente no café arábica, pressionado pela forte queda das cotações internacionais. 

    Segundo ele, os movimentos recentes do mercado financeiro também influenciam o cenário. 

    “Essa tendência deve permanecer até a entrada da próxima safra, ocasionando perda de market share do Brasil para outras origens produtoras, o que, obviamente, não é favorável em médio e longo prazos”, comenta. 

    Ferreira explica que os fundos têm liquidado posições compradas no mercado internacional, antecipando uma oferta maior do produto na próxima safra. Esse cenário, somado à valorização do real frente ao dólar e ao fato de produtores estarem capitalizados e com remanescentes ajustados da safra atual, tem limitado a competitividade do café brasileiro no mercado internacional. 

    O executivo também aponta fatores externos que podem agravar o quadro.

    “Essa tendência deve permanecer até a entrada da próxima safra, ocasionando perda de market share do Brasil para outras origens produtoras, o que, obviamente, não é favorável em médio e longo prazos”, comenta.

    Ferreira avalia, no entanto, que o mercado pode reagir com a entrada da próxima safra brasileira.

    “A tendência de recuperação é esperada a partir da próxima safra que se avizinha e já ocorre com o conilon, que conta com maiores estoques de passagem e cuja colheita comercializada a partir de maio será também importante. No caso arábica, a expectativa de recuperação dos embarques é aguardada a partir de junho, com a chegada da nova safra, com volume bem mais relevante que a que se encerrará”, pondera.

    Principais destinos do café brasileiro

    A Alemanha foi o principal destino do café brasileiro no primeiro bimestre de 2026. O país importou 786.589 sacas, volume equivalente a 14,5% do total exportado, embora represente queda de 20,1% em relação ao mesmo período de 2025.

    Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 655.998 sacas, participação de 12,1% e retração de 45,8% na comparação anual.

    Na sequência do ranking estão:

    • Itália – 568.598 sacas (+5,9%)

    • Bélgica – 331.747 sacas (-6,8%)

    • Japão – 315.816 sacas (-34,5%)

     Tipos de café exportados

    Entre janeiro e fevereiro de 2026, o café arábica permaneceu como o principal produto exportado pelo Brasil. Foram 4,423 milhões de sacas enviadas ao exterior, volume equivalente a 81,8% das exportações totais, apesar da queda de 28,9% frente ao mesmo período de 2025.

    Na segunda posição aparece o café solúvel, com 573.301 sacas, retração de 11,5% na comparação anual e participação de 10,6% no total exportado.

    Já os cafés canéforas (conilon e robusta) somaram 408.446 sacas, o que representa queda de 27,7% e participação de 7,5% nas exportações.

    O café torrado e torrado e moído completou a lista, com 5.572 sacas exportadas, recuo de 38,7% e representatividade de 0,1%.

    Cafés diferenciados

    Os cafés diferenciados — produtos com qualidade superior, certificações de sustentabilidade ou classificação como especiais — responderam por 19,8% das exportações brasileiras no primeiro bimestre de 2026.

    No período, foram embarcadas 1,069 milhão de sacas, volume 40,7% inferior ao registrado nos dois primeiros meses de 2025.

    Com preço médio de US$ 461,74 por saca, esses embarques geraram US$ 493,5 milhões em receita cambial, valor que correspondeu a 22% do total obtido com as exportações de café no período. Na comparação anual, houve queda de 31,2%.

    A Alemanha também liderou o ranking de destinos desse segmento, com 137.770 sacas, equivalentes a 12,9% do total exportado.

    Completam o top 5:

    • Estados Unidos – 132.179 sacas (12,4%)

    • Bélgica – 130.484 sacas (12,2%)

    • Itália – 124.249 sacas (11,6%)

    • Holanda (Países Baixos) – 86.253 sacas (8,1%)

    Portos de embarque

    O Porto de Santos concentrou a maior parte das exportações brasileiras de café no primeiro bimestre de 2026. Pelo terminal paulista foram embarcadas 4,217 milhões de sacas, o que representa 77,9% do total exportado.

    Na sequência aparece o complexo portuário do Rio de Janeiro, responsável por 983.890 sacas e 18,2% dos embarques.

    O Porto de Paranaguá, no Paraná, completa a lista, com 66.954 sacas exportadas e participação de 1,2%.

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