Preço do café segue em alta no varejo brasileiro

Mudanças climáticas, custo da matéria-prima e demanda exportadora aquecida pressionam o valor do grão

Por |
Preço do café segue em alta no varejo brasileiro
25deJaneirode2022ás19:56

O cafezinho nosso de cada dia continua mais caro. Quem vai aos supermercados em todas as regiões do Brasil percebeu a diferença. Para burlar os aumentos, os consumidores precisam estar atentos às promoções e deixar de lado a fidelidade por determinada marca do produto. São mudanças de hábitos simples, mas que podem representar economia no orçamento doméstico no fim do mês.  

A perspectiva do mercado, pelos menos por enquanto, é que o preço do café continue alto. Conforme representantes do setor, as mudanças climáticas e os custos da produção puxam o aumento. Para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o cenário neste início de ano é de restrição da oferta de café no mercado interno, influenciado pela redução na produção em 2021, demanda exportadora aquecida e pelo período de entressafra.

Apesar disso, segundo a Conab, os produtores brasileiros deverão colher a terceira maior safra neste ano. A produção esperada é de 55,7 milhões de sacas de 60 quilos, conforme o 1° Levantamento da Safra de Café 2022. A estimativa, caso confirmada, representa um acréscimo de 16,8% em comparação com 2021 – o aumento era esperado devido à temporada anterior ser de bienalidade negativa para a cultura. O resultado só não é melhor que os desempenhos registrados em 2020 e 2018, as duas últimas safras de bienalidade positiva.

Segundo a Companhia, a queda na produção nesta safra, quando comparada com a anterior, é reflexo das condições climáticas adversas registradas principalmente entre julho e agosto de 2021. A estiagem e as geadas ocorridas com maior intensidade em Minas Gerais, São Paulo e Paraná, impactaram nas condições fisiológicas dos cafezais. As produtividades, em especial da espécie arábica, não deverão manifestar seu pleno potencial produtivo. Ainda assim, a produção da variedade deverá ser acrescida em 23,4% em relação à safra anterior, sendo estimada em 38,7 milhões sacas. Para o conilon, a expectativa é de um novo recorde com a colheita podendo chegar a 17 milhões sacas, aumento de 4,1% em relação à safra anterior.  

Preços

A tendência é que os preços do produto se mantenham pressionados, apesar da maior produção estimada para 2022, uma vez que é esperada uma redução nos estoques mundiais para o ciclo 2021/22. “O panorama de preços elevados estimula as vendas externas. Apenas em 2021, o Brasil exportou cerca de 42,4 milhões de sacas de 60 quilos de café verde, o que representa um recuo de 3,3% em relação ao volume exportado no ano anterior, mas um aumento na receita de 15,3%, chegando a US$ 6,4 bilhões”, assinala a Conab.

Segundo a ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café), os preços do café ofertados para o varejo continuam pressionados pelos custos das matérias-primas, que se mantêm elevados. “O cenário será melhor definido em março, quando teremos clareza da safra que deve ser colhida neste ano. De jeito ou de outro, teremos um ano muito desafiador em termos de preços nas prateleiras”, explica Celírio Inácio, diretor executivo da ABIC.

Para o Conselho Nacional do Café (CNC), os custos elevados dos insumos para manutenção das lavouras, salários e encargos, tornam o mercado altamente especulativo com uma oscilação de preços baixos que não cobrirão os custos de produção. “Temos que ter cautela em relação aos estímulos de preços praticados hoje, os quais, em condições normais, dariam resultados positivos para os produtores. Devemos esperar que o mercado compreenda que basta remunerar de forma justa para que os produtores produzam o suficiente para o abastecimento”, aponta o Conselho.      

Área

De acordo com a Conab, a área destinada à cafeicultura, quando consideradas as variedades arábica e conilon, totaliza 2,23 milhões de hectares, representando acréscimo de 1,7% sobre o ciclo anterior. Considerando apenas as lavouras em produção, o índice fica próximo da estabilidade e soma 1,824 milhão de ha em relação ao período anterior. Em contrapartida, a área de formação deverá ter acréscimo de 6,4%, alcançando 416,7 mil ha. Em comparação com 2020, último ano de bienalidade positiva, o crescimento para as áreas que não registram produção chega a ser de 50%.

“Esse elevado aumento da área em formação mostra os efeitos das condições climáticas adversas registradas no ano passado. A estiagem e as baixas temperaturas exigiram um manejo de poda mais intenso, conduzindo uma área significativa de café para produção somente na safra 2023 ou 2024”, ressalta o diretor de Política Agrícola e Informações da Companhia, Sergio De Zen.

Cargando...