Extensionista dá dicas para evitar ataques de pragas e doenças em hortas e pequenas lavouras

O uso de técnicas de manejo agroecológico reduz insetos, micro-organismos ou plantas capazes de prejudicar as culturas

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Extensionista dá dicas para evitar ataques de pragas e doenças em hortas e pequenas lavouras
15deFevereirode2022ás20:10

No período das chuvas de verão, as hortas e as pequenas lavouras costumam sofrer mais com o ataque de pragas e doenças. Inúmeros questionamentos sobre como enfrentar esse problema são direcionados cotidianamente à Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e às Casas da Agricultura, vinculadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA).

“Nunca acabamos com esses organismos, todavia, controlamos sua população, para que não ocasione danos significativos ao desenvolvimento das culturas. A palavra-chave para isso é convivência”, explica a engenheira agrônoma Maria Cláudia Silva Garcia Blanco, extensionista da SAA.

As plantas saudáveis são mais resistentes aos ataques e, por isso, o controle deve começar no solo. Aqueles ricos em organismos e micro-organismos são excelentes para disponibilizar nutrientes para as plantas. Um bom teor de matéria orgânica e a garantia de que não haja a presença de contaminantes químicos, como agrotóxicos e metais pesados, e biológicos, com elevada concentração de organismos fitopatogênicos, são primordiais para o desenvolvimento das culturas. 

“A partir da consciência do solo, orientamos as pessoas interessadas em manter uma horta, seja comercial, doméstica, escolar ou em local de convivência, a um manejo integrado que usa práticas agronômicas que podem evitar a proliferação da população de insetos, de pragas, dos agentes de doenças e do mato formado por plantas espontâneas, as quais surgem no sistema e competem com as culturas por luz, água e nutrientes”, explica a engenheira agrônoma. 

O cuidado deve ser redobrado com o controle de pragas em hortas medicinais. Os sistemas agroecológicos ou orgânicos de produção promovem o bom desenvolvimento das culturas, favorecendo o teor e a composição das substâncias bioativas responsáveis pelas propriedades terapêuticas.

“O desequilíbrio no sistema produtivo favorece as populações de insetos e plantas prejudiciais. É fundamental que o controle fitossanitário seja realizado com manejo complexo e constituído de várias práticas”, acrescenta Cláudia Silva Garcia Blanco.

Um guia sobre plantas medicinais e aromáticas, produzido pela engenheira agrônoma, está disponível para acesso e download gratuito no link: 

https://www.cdrs.sp.gov.br/portal/themes/unify/arquivos/produtos-e-servi...

Práticas recomendadas  

As práticas culturais e preventivas são muitas, como seleção da área, uso de sementes e mudas sadias, rotação de culturas, controle da erosão, adubação equilibrada, cobertura do solo, adubação verde, uso de biofertilizantes e adoção do policultivo, com plantas companheiras e plantas armadilhas ou repelentes. 

Existem as práticas mecânicas, caso persistam algumas pragas e doenças, entre elas a catação manual dos insetos considerados pragas e o uso de armadilhas (placas atrativas coloridas, adesivas, luminosas etc) e/ou o emprego de práticas biológicas como inserção na cultura de inimigos naturais, que são predadores ou parasitas de pragas específicas. 

No caso de hortas não comerciais, essas práticas devem resolver os problemas, porém outro recurso empregado é o uso de produtos químicos permitido pela legislação federal. “Deve-se optar por substâncias químicas naturais, com baixo nível toxicológico, como enxofre, caldas bordalesa e sulfocálcica, sulfato de alumínio e extratos de plantas, como chás e alcoolaturas de plantas consideradas medicinais, a exemplo da camomila e cavalinha. É importante lembrar que o aplicador dos produtos deve usar equipamento de proteção individual”, lembra a extensionista. 

As principais pragas encontradas em hortas são: os ácaros, as cochonilhas, as formigas, as lagartas, a larva-mimadora, a lesma, os caracóis, os pulgões e as vaquinhas. Entre as doenças, as fúngicas são as mais importantes, seguidas por àquelas causadas por bactérias e vírus.

Indicações sobre as pragas podem ser encontradas na internet, mas é imprescindível, em ataques maiores, que um profissional da área seja consultado, para implementar as práticas corretas. Os engenheiros agrônomos das Casas da Agricultura e das Regionais da CATI no estado de São Paulo podem ser consultados. A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral disponibiliza uma lista com os endereços das unidades no portal: www.cati.sp.gov.br.

* Com informações da SAA

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