Conflito entre Rússia e Ucrânia e os impactos sobre o mercado do trigo no Brasil e no mundo

Brasil não deve ter problemas no abastecimento a curto prazo; Argentina sinalizou ter trigo suficiente suprir demanda

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Conflito entre Rússia e Ucrânia e os impactos sobre o mercado do trigo no Brasil e no mundo
07deMarçode2022ás19:59

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) acompanha de perto as questões relacionadas aos impactos que os conflitos entre a Rússia e a Ucrânia podem trazer para o mercado do trigo no Brasil e no mundo.

A Rússia é o maior exportador mundial de trigo e a Ucrânia ocupa a 4ª posição no ranking. Juntos, são responsáveis por cerca de 30% do mercado mundial de exportação do trigo, o que corresponde a 210 milhões de toneladas. Conforme a Abitrigo “é inevitável que a crise da Ucrânia afete diretamente os preços do trigo a nível mundial”.

A Associação informa ainda que se o conflito continuar poderá ocorrer a suspensão dos embarques nos portos ucranianos e os importadores concentrarão suas demandas nos demais exportadores, como Estados Unidos, Austrália, Canadá e Argentina. “Isto poderá manter os preços em níveis elevados. O mercado global de trigo, nos dois últimos anos, foi fortemente afetado por crises climáticas nos países líderes e pela Covid, que impactou o posicionamento de estoques de segurança e fretes marítimos, cujos valores sofreram aumento de até três vezes”.

mercado mundial de trigo precificou, de forma contundente, indicando que visualiza um alongamento da crise. O cereal subiu em média 35,7% nos Estados Unidos. A Argentina, maior fornecedor do Brasil, acompanha essa tendência. “A escalada de alta ainda não se estabilizou e continua em forte ascensão”, afirma a Abitrigo.

A Associação acrescenta que o mercado mundial de trigo tem apresentado grande dificuldade em precificar o cereal, pois depende da duração e da abrangência da crise. “Esta visão do mercado tem gerado oscilação nos preços. Na Argentina, nosso maior fornecedor, os preços também estão oscilando. Será necessário assim, maior definição do desmembramento da crise para posicionamento do mercado”.

Importações para o Brasil

As análises da Abitrigo indicam que o Brasil não terá problemas de abastecimento do cereal no curto prazo, pois a Argentina já sinalizou ter trigo suficiente para atender o mercado brasileiro. O volume da Rússia é muito pequeno e não há registro de compras do trigo da Ucrânia.

O mesmo não ocorre em relação aos preços no mercado global e no mercado interno. “Um fator que pode aliviar um pouco esse aumento, mas longe de ser significativo, é a queda no valor do dólar em relação ao real nos últimos dias, o que pode compensar, de certa forma, os aumentos recentes em Chicago, mas a tendência é que o patamar de preços fique bem elevado, nos próximos quatro ou cinco meses, com previsão de estabilizar ou começar a cair a partir do mês de julho/agosto, com a entrada da safra do hemisfério norte”, informa a Abitrigo.

Outra questão que pode impactar o preço do trigo é a incerteza em relação aos fertilizantes, pois a Rússia é um dos maiores produtores do mundo e fornecedor desse insumo para o Brasil, além da influência dos fundos de investimento, que aumentaram suas posições nas commodities, ampliando a volatilidade dos preços.

A Associação afirma que o trigo no Brasil foi e continua a ser um problema sério por conta da dependência, pois o país segue muito vulnerável. “Sessenta por cento da demanda interna de trigo é atendida por importação externa e, desse total, 85% é originário de um único país, a Argentina”, explica.

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