Brasil colhe 5 vezes mais arroz em área 4 vezes menor em 41 anos

Ano após ano, a área de cultivo só tem caído. Contudo, a produção avança graças à tecnologia e ao trabalho do produtor. Por Fábio Moitinho

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Brasil colhe 5 vezes mais arroz em área 4 vezes menor em 41 anos
16deMarçode2022ás18:22

Ah, o arroz! Junto com o feijão, o grão é o símbolo consagrado da refeição de todo o brasileiro. Mas há um dado muito curioso sobre essa lavoura e que devemos prestar bastante atenção. Sabia que o arroz foi a cultura que mais sofreu com a redução de área de plantio nos últimos 41 anos e, mesmo assim, a produção não caiu?

O ano safra de 1980/1981 foi quando a lavoura ocupou sua maior área de cultivo, com 6,6 milhões de hectares, segundo o levantamento histórico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Hoje, 41 anos depois, no ciclo agrícola 2021/2022, a área semeada é estimada em 1,6 milhão de hectares, um território quatro vezes menor.

O mais intrigante dessa história é que o Brasil colhe cinco vezes mais por hectare cultivado. Lá na década de 1980, cada hectare plantado por arroz, colhia-se 1,3 tonelada. Já neste novo ciclo de produção agrícola, o rendimento esperado é cerca de 6,5 toneladas por hectare. O resultado é cinco vezes maior do rendimento registrado na safra 1980/1981.

Mas o que aconteceu com o plantio do arroz? Bom, para início de conversa é justamente em meados dessa época que os reflexos da ciência agropecuária no país começavam a aparecer nos campos, com novos métodos de cultivo, apoio técnico aos agricultores, e o surgimento de plantas melhoradas e adaptadas numa parceria entre o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), criado em 1940, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que iniciou seus trabalhos de pesquisa em 1973.

Irrigado ou por chuva

A lavoura é predominantemente de sangue sulista no Brasil. O Rio Grande do Sul semeia 58,5% da área de arroz cultivada nacionalmente; Santa Catarina, vem em segundo lugar com 9,1%, desta área. Nos dois estados, a lavoura é irrigada por inundação dos campos.

Em outros Estados, a cultura também é presente e pode ser irrigada ou depender da água da chuva. Tocantins, por exemplo, é o 3º com 6,7% da extensão do arroz nacional, a qual 86,1% são irrigadas. Já o Maranhão, o 4º lugar, com 6% da área plantada no país, tem até cultivos irrigados, mas a maioria (94,7%) depende mesmo da água da chuva (cultivo de sequeiro).

O vai e vem do mercado

A safra do arroz sempre foi marcada com muitas baixas por parte do produtor, em função de custos altos para o cultivo da plantação e preços que não remuneravam o produtor. A pandemia trouxe um capítulo à parte para a produção no país, elevando a procura pelo grão, o que elevou consequentemente os preços pagos ao produtor.

Segundo o Indicador do arroz em casca Esalq/Senar-RS, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), de Piracicaba (SP), a saca de 50 quilos do arroz tipo 1 saiu de R$ 38,93, no dia 6/3/2019, para o maior valor da história do produto: R$ 106,24, em 23/9/2020. Em fevereiro deste ano, o produto está em cerca de R$ 70 e registrando uma tendência de alta.

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