PIB do agro completou 4 anos seguidos de crescimento, diz Cepea

Setor cresceu 8,36% em 2021 e atingiu participação de 27,4% do total no país. Por Daniel Duarte

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PIB do agro completou 4 anos seguidos de crescimento, diz Cepea
17deMarçode2022ás15:40

PIB do agronegócio brasileiro completou quatro anos consecutivos de crescimento em 2021. Essa é uma das conclusões sobre as informações divulgadas hoje pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

O índice, que considera todos os elos da cadeia e também as variações de preços, apontou aumento de 8,36% no valor adicionado pelo setor no ano passado, que chegou a R$ 2,14 trilhões. Deste modo, o PIB do agronegócio saltou 56,8% desde 2017, quando somava R$ 1,36 trilhão.

Enquanto isso, ainda com base nos critérios do Cepea, o PIB do Brasil subiu 18,8% no mesmo período e valeria R$ 7,82 trilhões no ano passado. Deste modo, a participação do agronegócio como um todo atingiu 27,4% no PIB total do país, a maior desde 2004.

Segundo os pesquisadores, os segmentos primário e de insumos destacaram-se em 2021 com aumentos de 17,52% e 52,63%, respectivamente. O PIB também cresceu para os outros dois segmentos, 1,63% para a agroindústria e 2,56% para os agrosserviços.

Dentre os ramos da agropecuária, dentro da porteira, enquanto o PIB do agrícola avançou 15,88% de 2020 para 2021, o PIB do pecuário recuou 8,95%.

Agricultura

forte crescimento do PIB do segmento primário agrícola decorreu especialmente do alto patamar real dos preços, tendo em vista as expressivas quebras de produção para importantes culturas, devido ao clima desfavorável.

Ressalta-se que o avanço da renda nesse segmento não foi ainda maior por conta do também expressivo incremento dos custos de produção – o que pode ser verificado no avanço do PIB dos insumos agrícolas. Esse crescimento refletiu, em grande medida, a alta importante dos preços de fertilizantes e de máquinas agrícolas (mas o aumento da produção nacional de fertilizantes, defensivos e máquinas agrícolas também impulsionou os resultados).

Pesquisadores destacam a importante desaceleração da agroindústria ao longo do segundo semestre de 2021, após sucessivas recuperações observadas ao longo do primeiro semestre. Ainda assim, sobretudo devido ao avanço real dos preços, a indústria agrícola finalizou 2021 com alta no PIB. E com os bons resultados nos segmentos a montante, os agrosserviços prestados ao ramo também avançaram no ano passado.

Pecuária 

O fraco desempenho do ramo da pecuária teve como principal fator de pressão o aumento expressivo dos custos com insumos, seja dentro da porteira, na agroindústria ou nos agrosserviços do ramo.  No segmento primário, o PIB cresceu, mas com resultado bem modesto tendo em conta as fortes elevações dos preços dos animais vivos e do leite.

Em 2021, o aumento do faturamento nas atividades pecuárias não se transformou em aumento do PIB, tendo em vista o avanço ainda mais expressivo do custo com insumos nessas atividades. Ademais, a menor produção de boi gordo também influenciou negativamente o PIB pecuário.

Na agroindústria, a relação entre faturamento e custos com insumos foi ainda mais desfavorável, diante das dificuldades de repasse das elevações das matérias-primas ao consumidor final devido a fragilização da demanda doméstica. Com isso, o PIB recuou no ano.

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