Estudo da Embrapa identifica 27 novos registros de abelhas nativas na cultura da soja

Presença de abelhas silvestres nas lavouras pode aumentar, em média, 7% o peso dos grãos, aponta pesquisa

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Abelha solitária em flor de soja.

Abelha solitária em flor de soja. Foto: Davi de Lacerda Ramos

07deAgostode2026ás17:13

Uma pesquisa liderada pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) identificou 27 novos registros de abelhas associadas à cultura da soja no Brasil. Elas estão entre as 40 espécies encontradas em lavouras de Rio Verde e Montividiu, no sudoeste de Goiás, e ainda não haviam sido citadas pela literatura científica nesse cultivo.

O estudo também indica que a presença de abelhas silvestres nas lavouras pode aumentar, em média, 7% o peso dos grãos de soja.

Os resultados foram publicados no artigo Bioinput Use and Native Vegetation Fragments are Associated With Higher Bee Community Evenness in Large-Scale Soybean Crops, no Journal of Applied Entomology. Considerando as lavouras e as áreas de mata nativa vizinhas, foram identificadas 53 espécies de abelhas de cinco famílias: Apidae, Andrenidae, Megachilidae, Colletidae e Halictidae.

Os dados apontam que a conservação da vegetação nativa no entorno das lavouras, associada a práticas de manejo menos agressivas aos polinizadores, pode favorecer a biodiversidade e contribuir para a produtividade da soja.

Manejo químico reduz diversidade

Um dos pontos analisados foi o impacto do uso intensivo de inseticidas e fungicidas sintéticos de amplo espectro sobre organismos que não são alvo das aplicações.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Carmen Pires, propriedades com manejo químico mais intensivo apresentaram redução na equitabilidade das comunidades de abelhas — indicador que mede quão uniforme é a distribuição dos indivíduos entre as diferentes espécies.