The Brazil Conference & Expo cresce 56% e destaca relevância econômica dos alimentos frescos
Maior edição do evento reúne mais de 200 marcas em São Paulo e debate consumo saudável, inteligência artificial, varejo e novas estratégias para o setor
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Evento realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, reúne empresas, especialistas e representantes da cadeia de frutas, flores, legumes, verduras e ovos
A 10ª edição da The Brazil Conference & Expo, que se encerra nesta quarta-feira (5/8), no Distrito Anhembi, em São Paulo, evidencia a força da cadeia de frutas, flores, legumes, verduras e ovos (FFVLO) e a relevância econômica de um setor que movimenta cerca de R$ 150 bilhões na produção e R$ 400 bilhões no varejo.
O evento é realizado pela International Fresh Produce Association (IFPA), maior associação global de produtos frescos, e organizado pela Francal.
"O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, e nosso papel é unir toda a cadeia, promover inovação e criar um ambiente de colaboração capaz de gerar oportunidades de negócios ao longo de todo o ano."
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, que participou da solenidade de abertura, reforçou o compromisso do governo federal com o fortalecimento da cadeia de alimentos frescos e destacou o protagonismo brasileiro na fruticultura mundial.
"O Ministério da Agricultura trabalha em parceria com todos os segmentos do agro brasileiro. Estar presente na abertura da The Brazil Conference & Expo é reconhecer a importância estratégica de um setor que ajuda a posicionar o Brasil entre os maiores produtores do mundo. Fortalecer essa cadeia é fortalecer a competitividade do País”, afirmou.
O presidente da Abras, João Galassi, ressaltou a trajetória da feira e a importância estratégica da categoria de hortifrúti para o varejo alimentar. "O hortifrúti é uma joia rara para os supermercados e responde hoje por cerca de 10% do faturamento dos supermercados”, pontuou.
Galassi também destacou o papel da rastreabilidade para fortalecer a confiança do consumidor e lembrou que a categoria foi beneficiada pela desoneração da cesta básica na Reforma Tributária.
Já o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, destacou a vocação do estado para a produção de alimentos e a relevância econômica da atividade. A agricultura paulista é responsável por cerca de R$ 50 bilhões em valor de produção por ano.
Mercado de produtos saudáveis movimenta R$ 21,1 bilhões no Brasil
Pesquisa realizada pela NielsenIQ mostra que saúde, bem-estar e confiança estão mudando o comportamento do consumidor e redefinindo o consumo.
“Desde 2024, o cenário no varejo vem se retraindo no geral, mas evoluindo com relação a produtos saudáveis. Ou seja, a busca pela saudabilidade alavanca o consumo, cria comunidades e já representa um mercado de R$ 21,1 bilhões no Brasil, contra US$ 6,3 trilhões no mundo”, explicou Domênico Tremaroli Filho, diretor de Varejo Brasil da consultoria, durante palestra na The Brazil Conference Expo.
Dados do estudo apontam aumento de 11% nos itens saudáveis nos carrinhos de supermercados, enquanto 86% dos brasileiros já incorporaram pelo menos um hábito saudável à rotina.
“Esse mercado está em crescimento acelerado, registrando evolução de 20% em valores e 13% em unidades. O consumo de FLV está inserido nesse cenário, com alta de 9% em frutas, 3% em legumes, 16,2% em ovos, por exemplo”, detalhou Tremaroli Filho, que alertou que, para o consumidor, não basta ser saudável: é preciso ter qualidade e preço acessível.
A palestra ainda trouxe dados sobre a crescente utilização de medicamentos injetáveis à base de GLP-1, popularmente conhecidos como canetinhas. Atualmente, o medicamento é usado regularmente por 5% da população e desperta o interesse de 26% dos consumidores. “O limitador ainda é o preço”, pontuou o especialista.
No grupo de usuários da medicação, 94% mudaram hábitos alimentares e aumentaram o consumo de proteínas animais, enquanto 67% ampliaram o consumo de vegetais, verduras e frutas.
Experiência do cliente impulsiona diferenciação no mercado
As empresas precisam criar conexões genuínas e entregar experiências memoráveis para se diferenciar no mercado. "Hoje, o cliente compra a proposta de valor, não apenas o produto. Todo negócio pode se diferenciar quando agrega experiências que geram valor e criam memórias para o consumidor”, afirmou Luiz Justo, CEO do Rock World, durante a palestra "Inovação através da colaboração: tecnologia, talento e o futuro do crescimento", na The Brazil Conference & Expo.
Justo explicou que essa diferenciação pode ser construída por meio de iniciativas como programas de fidelidade, clubes de compras, benefícios exclusivos e vendas antecipadas para clientes premium. Ele também ressaltou que a experiência do cliente começa dentro da própria organização e depende de uma cultura empresarial sólida, baseada em valores, propósito e exemplos.
Em sua apresentação, o executivo citou a Disney como referência mundial, destacando que seu sucesso está na atenção aos detalhes e na capacidade de transformar cada interação em uma experiência marcante para o público. Enfatizou ainda a importância da escuta ativa do cliente.
"Quando um cliente traz um problema ou uma sugestão, é fundamental ouvir, agradecer ou pedir desculpas quando necessário, entender o que aconteceu e melhorar a experiência. As reclamações são ouro para qualquer empresa".
Dados de qualidade são a base da inteligência artificial
A agricultura digital evoluiu significativamente desde 2012, incluindo o uso da inteligência artificial. Entretanto, especialistas do painel "Aplicações em FFLV: a vez da IA e a voz da ciência, indústria e varejo", realizado durante a The Brazil Conference & Expo, destacaram que o avanço da tecnologia depende de dados confiáveis e representativos da realidade do campo.
"A inteligência artificial só é eficiente quando treinada com dados de qualidade. No setor de frutas e hortaliças, ainda precisamos avançar muito na geração de bases de dados representativas e no desenvolvimento de sensores capazes de identificar doenças e apoiar a tomada de decisão no campo”, explicou Jaime Garcia Arnal Barbedo, pesquisador da Embrapa.
Representando o varejo, Danilo Castro Alves, diretor executivo do Grupo Carrefour Varejo, afirmou que a inteligência artificial tem contribuído para enfrentar um dos maiores desafios do setor, a escassez de mão de obra, além de reduzir perdas e melhorar a eficiência operacional.
A multinacional substituiu parte das inspeções exclusivamente visuais por sistemas de visão computacional aliados à validação humana. A tecnologia também passou a monitorar indicadores como estoque, tempo de permanência dos produtos e índice de frescor, além de utilizar modelos que combinam histórico de compras, comportamento do consumidor e condições climáticas para aprimorar as previsões de abastecimento.
Já Nilson Gasconi, executivo de negócios da GS1 Brasil, destacou o potencial da inteligência artificial para impulsionar a cadeia de flores, um dos segmentos mais sensíveis à logística e à perecibilidade. "A IA pode dar mais visibilidade, por meio da automação, da rastreabilidade e da qualificação das informações”, disse.
Segundo ele, as cooperativas já utilizam sistemas baseados em dados para orientar decisões de forma mais assertiva, demonstrando que a tecnologia gera ganhos concretos de eficiência quando aplicada sobre informações consistentes e confiáveis.
Fruta da estação pode aumentar desempenho do varejo
O planejamento antecipado e o merchandising baseado na sazonalidade das frutas podem aumentar não apenas as vendas da categoria de frutas, flores, legumes e verduras (FFLV), mas também o desempenho de toda a loja.
Segundo Jéssica Keller, vice-presidente de Relações com a Indústria Global da International Fresh Produce Association (IFPA), transformar a sazonalidade em uma estratégia comercial é fundamental para destacar os produtos frescos e estimular o consumo.
"Quando o cliente entra na loja, ele precisa identificar imediatamente qual é a fruta da estação. A exposição deve criar um ambiente que valorize esse produto e estimule a compra de outros itens relacionados”, destacou.
Durante sua palestra na The Brazil Conference & Expo, Jéssica abordou a necessidade de desenvolver um plano estratégico considerando o calendário das safras, o comportamento do consumidor e ações promocionais em parceria com fornecedores.
“O planejamento deve começar com pelo menos um ano de antecedência. Quando o merchandising é bem executado, você amplia as vendas da categoria de FFLV e de toda a loja”, finalizou.
Ainda no evento, Luís Cláudio O. A. Souza, CIO da Perboni Brasil e membro do Conselho Mercatus Tecnologia, discutiu a importância da inspeção de qualidade no recebimento de mercadorias em CDs e portos, com o objetivo de reduzir perdas, proteger a cadeia fria e garantir o padrão.
Francielle Bertotto, gerente de Cadeia de Alimentos & Sustentabilidade na Yara Brasil Fertilizantes, abordou como a nutrição de plantas pode acelerar a descarbonização de diferentes cadeias agrícolas, gerando valor para todos os elos ao conectar produtividade, sustentabilidade, rastreabilidade e acesso a mercados.