Florestas plantadas preservam 95% do carbono no solo, diz Embrapa

Estudo avaliou 8,6 milhões de hectares de eucaliptos, pínus e acácia-negra em nove estados

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Florestas plantadas preservam 95% do carbono no solo, diz Embrapa
03deMaiode2022ás15:09

As florestas plantadas com variedades como eucaliptos, pínus e acácia-negra preservam 95% do carbono do solo, segundo novo e amplo estudo da Embrapa Florestas, e não apenas 66% como se acreditava.

Trata-se de uma boa notícia pois as florestas, e agora inclusive as plantadas com espécies comerciais, cada vez mais comprovam sua importância para a vida humana quando o tema é fixação de carbono.

De acordo com a Embrapa, o número, que é resultado de estudos publicados sobre o tema nas últimas duas décadas, não só reforça o grande potencial de mitigação dos gases de efeito estufa (GEEs) pelos plantios florestais, como também valoriza o trabalho da ciência brasileira.

Outro ponto importante é, agora, esse será o índice de alteração de carbono no solo (IAC) utilizado no dia a dia e para novas pesquisas nacionais.

“No caso desse índice, o valor de cálculo não estava condizente à realidade dos plantios florestais. No entanto, à medida que os estudos avançam, cada país pode ajustar e refinar esses índices para as realidades de seus cultivos, que foi o que fizemos com os cultivos florestais analisados,” conta a pesquisadora da Embrapa Josileia Zanatta, que coordenou o estudo. 

Florestas plantadas 

A Embrapa Florestas teve como base estudos realizados no Brasil e publicados entre os anos de 2002 e 2019, em áreas convertidas para florestas plantadas de eucaliptos, pínus e acácia-negra.

Os dados envolveram informações obtidas em nove estados: RS, SC, PR, SP, ES, MG, BA, PA e MS, e abrangem mais de 8,6 milhões de hectares de plantios florestais.

O estudo ainda comprova que cada tipo da planta cultivada interfere na cobertura vegetal e, portanto, pode influenciar os estoques de carbono do solo, alterando o equilíbrio entre o sequestro e as taxas de perdas de carbono.

“O fato de usar um índice da agricultura acabava por penalizar os plantios florestais, pois indicava que cerca de 33% do carbono armazenado no solo era perdido após a retirada de vegetação nativa, pastagem ou agricultura, seguido de conversão para plantios florestais”, analisa o pesquisador da Embrapa Marcos Rachwal, que participou do estudo.

“Comprovamos que, na realidade, esse índice é de 0,95, ou seja, considera uma perda de apenas 5%, o que representa uma grande diferença”, completa. 

Estoques de carbono

Outra constatação desses estudos foi a alta performance do solo como estocador de carbono. O volume armazenado é equivalente ao carbono acumulado na biomassa florestal e, por vezes, até maior.

Além disso, os solos dos plantios florestais podem agir como sumidouros de metano, por meio de microrganismos presentes no solo, as bactérias metanotróficas, que consomem o metano e contribuem para a redução da concentração desse gás na atmosfera.

“Todos os solos bem aerados e sem excesso de umidade, sob florestas plantadas ou nativas, têm essa capacidade”, explica Rachwal. 

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