Gargalos nos portos causam prejuízo de R$ 75,9 milhões aos exportadores de café do Brasil
Setor relata perdas crescentes e cobra medidas urgentes para destravar logística nacional
Por |
Gargalos nos principais portos brasileiros já causaram um prejuízo acumulado de R$ 75,9 milhões aos exportadores de café entre junho de 2024 e maio de 2025, segundo levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Apenas em maio deste ano, o setor deixou de embarcar 356.322 sacas de 60 kg — o equivalente a 1.080 contêineres —, gerando perdas diretas de R$ 2,686 milhões em custos logísticos adicionais e impedindo o ingresso de R$ 876,28 milhões em receita cambial.
Desde o início do monitoramento (junho de 2024), os exportadores enfrentam gastos imprevistos com armazenagem extra, detentions, pré-stacking e antecipação de gates, reflexo da estrutura portuária defasada nos principais corredores logísticos do país.
Cenário crítico persiste, alerta Cecafé
Apesar de uma leve redução no volume de cargas paradas nos portos em relação aos meses anteriores, o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, afirma que a situação continua preocupante.
“Essa diminuição no volume que estava armazenado, à espera de navios para embarque, reflete o final da entressafra de café no Brasil e isso é muito preocupante, pois a safra nova começa a chegar agora em junho e julho e certamente veremos novos e crescentes atrasos de embarques e prejuízos aos exportadores, com pátios lotados, pois a infraestrutura portuária permanece a mesma, ao passo que as cargas que demandam contêineres para exportação, como algodão, açúcar e o próprio café seguem crescendo”, explica.
Heron defende a adoção imediata de medidas para destravar os gargalos logísticos e modernizar os portos brasileiros, a fim de acompanhar a evolução do agronegócio.
“Os investimentos anunciados até agora, como o leilão do Tecon Santos 10, a concessão do canal de entrada marítima ao porto, o túnel de ligação Santos-Guarujá e a terceira via de descida da Rodovia Anchieta para a baixada santista são muito importantes para o comércio exterior brasileiro, porém, levarão aproximadamente cinco anos para serem entregues, isso em condições normais de trâmite", explica
"A despeito disso, vimos a deliberação do colegiado da Antaq para restringir a participação de interessados no leilão do Tecon Santos 10, incluindo armadores, ignorando o cenário 3 contido na Nota Técnica 51, da própria Agência, elevando o potencial de judicialização da negociação do terminal, o que não faz o menor sentido e trará ainda mais prejuízos para as cargas, por conta da falta de capacidade adequada”, concluiu.
Porto de Santos concentra atrasos
De acordo com o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 56% dos navios que operaram nos principais portos do país em maio — ou 169 de 300 embarcações — sofreram atrasos ou alteração de escalas.
O Porto de Santos, responsável por 80,8% dos embarques de café entre janeiro e maio de 2025, registrou o maior índice: 64% das 177 embarcações sofreram mudanças nas escalas. Em um dos casos, o tempo de espera chegou a 28 dias.
No mesmo período, apenas 10% dos embarques contaram com mais de quatro dias de gate aberto. Outros 62% ficaram entre três e quatro dias, enquanto 28% operaram com menos de dois dias.
Portos do Rio também enfrentam gargalos
Segundo maior canal de exportação de café no país, com 14,9% dos embarques no acumulado de 2025, o complexo portuário do Rio de Janeiro teve índice de atraso de 69% em maio. Das 55 embarcações que operaram na região, 38 sofreram alteração nas escalas, com prazo máximo de espera de 16 dias.
Ainda nos portos fluminenses, 18% dos embarques contaram com mais de quatro dias de gate aberto, 56% operaram entre três e quatro dias e 25% tiveram menos de dois dias de janela para movimentação.