Ciclone Yakecan marcará história da meteorologia no Brasil, diz Embrapa

Artigo relaciona fenômeno ao La Niña e a efeitos a milhares de quilômetros

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Ciclone Yakecan marcará história da meteorologia no Brasil, diz Embrapa
19deMaiode2022ás11:54

Das enchentes que afetaram a Bahia, no início do ano, a recente massa de ar frio de maio que chegou ao Brasil, especialmente Sul e Sudeste, é fato que o clima passa, não só no Brasil, mas em todo mundo, por grandes mudanças, causadas pelo impacto das ações humanas no meio ambiente.

E o que vemos cada mais constantemente são os chamados eventos extremos, como descreve o pesquisador da Embrapa, Daniel Pereira Guimarães, em texto publicado hoje, dia 19, no site da Embrapa.

O texto, intitulado "Os efeitos do ciclone Yakecan em Sete Lagoas", analisa a queda de temperatura de modo geral no País e com detalhes em Minas Gerais, como acontecimentos que certamente farão parte da história da metereologia brasileira.

“O La Niña continua agindo com intensidade e normalmente é responsável por causar estiagens severas no Centro-Sul do País e maiores incidências de chuvas no Nordeste e na região Norte. Manaus está sofrendo com mais uma grande cheia do Rio Negro”, escreve Daniel.

“A partir de julho começa a temporada de furacões no Hemisfério Norte, e nesta semana tivemos a formação do ciclone subtropical Yakecan no oceano, entre o estado do Rio Grande do Sul e o Uruguai. Enquanto nos Estados Unidos os furacões recebem nomes próprios de pessoas, aqui no Brasil a Norma da Autoridade Marítima para Meteorologia Marítima (Normam) designa nomes indígenas para os ciclones que podem causar grandes impactos regionais.

O nome Yakekan significa “Som do Céu” na língua tupi-guarani. A formação em localização austral (sul) ocasionou fortes vendavais e queda de temperatura nos estados da região Sul, inclusive com a ocorrência de neve nas regiões mais altas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Temperaturas negativas

Ao analisar a passagem do ciclone no Brasil, o pesquisador explica que, por se tratar de evento de grande intensidade, houve impactos também nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, com a ocorrência de chuvas (alguns casos de queda de granizo) seguida de acentuada queda nas temperaturas. E descreve as consequências em Minas Gerais:

“Nessa madrugada, Sete Lagoas teve o dia mais frio dos últimos 37 anos, com registro da temperatura mínima de 3,4 °C na estação meteorológica do Inmet instalada na Embrapa. Essa temperatura foi a terceira menor em todo o estado, sendo superada apenas pelas ocorridas em Patrocínio (3,1 °C) e Monte Verde (2,8 °C). A temperatura mínima de Sete Lagoas foi um grau abaixo da registrada em Maria da Fé, normalmente o município mais frio de Minas Gerais. Uma curiosidade sobre as temperaturas de Sete Lagoas é que em 96 anos de registros nunca tivemos temperaturas negativas ou maiores que 40 graus, o que é um bom indicativo do clima na região.

O alerta final de Daniel é que precisamos, enquanto seres humanos, nos precaver, tendo em vista que outros eventos extremos certamente virão. 

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