Mapa apreende carga de feijão-cuapi com defensivo proibido

Fiscalização em Campo Novo do Parecis (MT) suspendeu comercialização de 4,2 mil toneladas do produto

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Mapa apreende carga de feijão-cuapi com defensivo proibido
30deMaiode2022ás15:32

Fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apreenderam nesta segunda (dia 30) cerca de 4,2 mil toneladas de feijão-cuapi, também chamado de feijão-de-corda, por uso de defensivo agrícola não autorizado para a cultura. 

A ação de fiscalização, realizada em conjunta com uma equipe Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT), ocorreu na cidade de Campo Novo do Parecis (MT), e refere-se ao maior volume de feijão a ter sua comercialização suspensa cautelarmente pelo Mapa.

Como comparação, a mercadoria apreendida equivale a 140 carretas carregadas com feijão. 

Moega comum 

Agora, fiscais do Mapa e do Indea estudam se o feijão, de tem origem diversa, foi comprometido pelo uso de uma mesma moega – onde diversos produtos são descarregados e misturados a outros, em silos de até 5 mil toneladas. 

“Embora as análises laboratoriais tenham atestado que todos os lotes da safra passada estão impróprios para o consumo humano, não se deve concluir que a aplicação irregular de defensivos é prática sistemática na região”, explicou o auditor fiscal federal agropecuário, Cid Rozo. 

“Para se ter o comprometimento de todo o produto ensilado, por exemplo, basta algumas cargas contaminadas e movimentação de grãos entre estruturas de armazenamento”, disse o Rozo. 

Ele ainda lembrou que, durante a ação fiscal, a empresa armazenadora reconheceu que já havia identificado o problema e que se prontificou a realizar acompanhamento de campo para detecção de resíduos do defensivo agrícola.

 “Além do trabalho realizado até o momento, a nossa expectativa é de que com a aprovação da lei de autocontrole, novas ferramentas de acompanhamento serão implementadas”, destaca o auditor para quem o Mapa deverá intensificar o controle nas plantações de feijão do estado nos próximos meses. 

Excedente de feijão-preto  

E já que o assunto é feijão, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que, pela primeira vez, a produção brasileira de feijão-preto irá superar o consumo interno. A análise faz parte do boletim AgroConab, divulgado na última sexta (dia 27).

De acordo com a Conab, a colheita na safra 2021/22 deve alcançar 619,3 mil toneladas – que representa um excedente de quase 100 mil toneladas na comparação com a demanda interna pelo produto (que gira em torno de 520 mil toneladas).

“Com os preços de mercado mais atrativos para os produtores no começo do ano, quando comparado com a variedade cores, houve uma inversão de comportamento entre os produtores paranaenses em 2022”, disse o diretor de Informações Agropecuárias e Políticas Agrícolas da Conab, Sergio DeZen. 

Ele explica que, no Paraná, que responde por quase 70% da produção total do feijão, o cultivo é majoritariamente de carioca na segunda safra. Porém, a atual colheita priorizou feijão-preto.  

Desta maneira, e apesar do início da entrada da segunda safra do produto, os preços seguem em patamares elevados, especialmente para o feijão-carioca – que também enfrenta indefinição, devido às condições climáticas.  Além disso, o aumento na produção de feijão-preto (e na oferta para o consumidor)  limita a valorização do carioca. 

Segundo as estimativas da Conab, a produção total de feijão (incluindo as variedades cores, preto e caupi) deverá atingir 3,1 milhões de toneladas, enquanto que o consumo interno é estimado em 2,85 milhões de toneladas.

 

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