Síndrome da "haste verde" gera perdas de até 100% da lavoura de algodão

Pesquisadores alertam que o nematoide Aphelenchoides, já conhecido no cultivo da soja, preocupa também produtores de algodão

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Síndrome da "haste verde" gera perdas de até 100% da lavoura de algodão
13deJunhode2022ás15:24

Tradicionalmente temido entre produtores da soja, já que causa a conhecida Síndrome da haste verde, o nematoide Aphelenchoides besseyi preocupa também para as lavouras de algodão do Mato Grosso, principalmente em áreas com maior incidência de chuvas. 

Estudo dos pesquisadores Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema (consultoria nematológica) aponta para perdas de 80% a 100% das plumas em plantações acometidas pelo nematoide (que costume acometer parre da área da planta) nos últimos cinco anos.

Na soja, o abortamento das inflorescências chega a 60% após ataque de aphelenchoides. “O produtor não vai colher nada na área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, diz Santino Aleandro para quem a chuva é o indicador mais preocupante para quem está plantando algodão. 

O alerta é o de que “quanto mais água” maior é o nível de infestação e multiplicação desse nematoide. E, segundo Santino, plantios da cultura em períodos com grande precipitação são os que apresentam maiores chances de perdas, podendo chegar a 100% da produção de frutos.

 Maior produtor do Brasil 

O estudo usa como referência a produção de algodão no Mato Grosso que há anos lidera o rankig nacional. Junto com a Bahia, o estado responde por mais de 80% do algodão em pluma produzido no Brasil – como exemplo, somente a safra 2021/22, ocupa uma área de cerca de 1,12 milhão de hectares, de acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

 Justamente no Estado, a colheita costuma ter início neste mês de junho. “É a partir de junho que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema. 

Começou em Sapezal-MT

Foi no município de Sapezal que, em 2017, a síndrome da haste verde foi observada no Estado em uma plantação de algodão.

“Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Para os pesquisadores, a recomendação é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. A dupla ainda orienta para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo.

A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

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