Paraná identifica agrotóxicos acima do limite em 26% das amostras de feijão

Fiscalização indicou presença de glufosinato e acefato em análises realizadas no segundo semestre de 2021

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Paraná identifica agrotóxicos acima do limite em 26% das amostras de feijão
14deJunhode2022ás15:43

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) tem intensificado ações de fiscalização nas plantações de feijão do Estado como forma de coibir o uso abusivo de defensivos agrícolas e evitar a contaminação nas principais áreas produtoras.

A decisão baseia-se nas análises do último semestre quando 26% das amostras coletadas apontaram para presença de índices irregulares nas plantações de feijão.

“Estamos trabalhando intensamente para identificar os possíveis problemas no cadastro, comércio e uso dos agrotóxicos recomendados para a cultura do feijão, com o objetivo de melhorar a qualidade do alimento”, avisa o gerente de Sanidade Vegetal da Adapar, Renato Rezende Young Blood.

Ainda de acordo com a Adapar, as ações também visam orientar os produtores, visto que, nas análises anteriores, identificou-se a conduta de antecipação da dessecação, na qual o defensivo é aplicado ainda com a planta toda verde.

“O adiantamento da dessecação pode ser um dos motivos de estarmos detectando resíduos em limites acima dos permitidos. Assim, tudo indica que para a próxima safra o problema deve ser resolvido”, salientou Young Blood. 

Dados do segundo semestre de 2021

No segundo semestre de 2021, os fiscais da Adapar coletaram 38 amostras, das quais 26% apresentaram índices de agrotóxicos fora do padrão, com valores acima do Limite Máximo de Resíduo (LMR) permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou proibido na modalidade de uso para a cultura.

O principal ingrediente ativo detectado nas amostras fora do padrão foi o glufosinato, presente em 80% - o produto é autorizado para dessecação pré-colheita.

Também foi observada a presença do acefato, autorizado no controle de pragas, representando 10% das amostras fora do padrão.

Todos os produtores flagrados em ações que não respeitam as normas legais foram autuados pela Adapar e tiveram os processos remetidos para o Ministério Público.

Incidência é nacional 

A Adapar lembra ainda que o uso de defensivos em limites superiores ao permitido não é exclusivo ao Paraná.

Em 2019, um estudo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apontou que, no País, cerca de 89% das amostras de feijão-caupi, também conhecido como feijão-de-corda, e 32% do feijão comum apresentaram resíduos de defensivos superior ao limite permitido.

Em 2020, os feijões continuaram fora do padrão, porém já em menor porcentagem no caso do feijão-caupi, em 77% das amostras coletadas. O núméro foi de 37% do feijão comum.

Já em 2022, em ação com o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT), o Mapa apreendeu 4,2 mil toneladas de feijão-caupi com resíduo de herbicida proibido para a cultura.

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