Usina transforma esterco animal em gás para cerveja

Empresa dinamarquesa fatura milhões de euros com biogás e fertilizantes

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Usina transforma esterco animal em gás para cerveja
28deJunhode2022ás20:04

A economia circular é um dos melhores caminhos para a sustentabilidade por aproveitar bem os materiais, reduzir impactos ambientais e gerar valor, mas, às vezes, pode render realidades para lá de curiosas.

É o caso da Natural Energy, empresa de biogás na Dinamarca, que utiliza dejetos da agricultura e de granjas de animais até mesmo para produzir o gás de cervejas ou refrigerantes das marcas mais famosas.

O Agrofy News Brasil visitou sua fábrica mais moderna, na cidade de Holsted, na Jutlândia, onde são processadas 600.000 toneladas de “descartes”. Entre os itens, desde palha de grama, cevada ou outras culturas agrícolas, até sobras de restaurantes ou supermercados e mesmo os excrementos de suínos, aves e vacas.

O objetivo é gerar um ganha-ganha entre cerca de 50 produtores rurais de um raio de 25 quilômetros da unidade e também para o meio-ambiente. Ou seja, a empresa recolhe os dejetos, os transforma em biogás ou fertilizantes de melhor qualidade e os divide com os próprios agricultores, além de vender ao mercado.  

“Os agricultores participantes recebem de 40% a 60% do fertilizante produzido a partir de seus descartes. Isso é uma vantagem para eles porque além de facilitar a destinação dos resíduos, conseguem adubos melhores. Gostamos de colaborar. São cerca de 600 mil toneladas ao ano”, diz Mitti Hansen, diretora de Assuntos Corporativos da Natural Energy.

Diferencial

As usinas de biogás da Nature Energy tratarão 4,4 milhões de toneladas de biomassa por meio de 12 unidades em 2022, gerando mais de 181 milhões de m3 de biogás verde.

Essa quantidade de biogás poderia ser usada para abastecer 8 mil ônibus ao ano, ou para aquecer 157 mil casas. “Tudo isso de forma neutra em CO2, além de substituir os combustíveis fósseis”, acrescenta.

O biogás, inclusive, tem uma particularidade importante. Com tecnologias próprias, a empresa é capaz de separar o gás metano e o CO2, após o processo anaeróbico de biodigestores gigantes.

“O hidrogênio é aproveitado para uma reação química para mais metano, a chamada metanização. Assim, podemos elevar a concentração de 6% para até 98% de metano. Além dos 40% de co2 no primeiro biogás. Usamos tudo”, acrescenta.

Para se ter ideia, a Nature Energy fornece biogás para a rede de geração de energia da Dinamarca e também CO2 para a indústria de alimentos, como importantes marcas globais de bebidas.

“Está certo dizer que o gás gerado de dejetos das granjas de transforma nas bolhas de refrigerantes e cerveja na Dinamarca e outros países da Europa. Esso é bom exemplo da economia circular.

Negócio sustentável

A companhia é uma das maiores no setor na Dinamarca, que tem 28% de sua geração de energia a partir de gás metano. Deste total, um quarto (ou 7%) é produzido pela Nature Energy.

“Com a guerra entre Ucrânia e Rússia, os preços do biogás acompanharam o aumento do gás natural e outras fontes. Atualmente, está ao redor de 5 coroas dinamarquesas por metro cúbico”, diz a executiva.

Em outras palavras, apenas a produção de biogás gerará R$ 675 milhões a valores de hoje. “A sustentabilidade vai além do resultado financeiro e também inclui o meio ambiente, os produtores parceiros e funcionários”, finaliza.

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