Plano Safra 2022/2023 é “positivo, dentro do possível”

CNA, FPA e Aprosoja destacam desafios do crédito, considerando cenário de crise mundial

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Plano Safra 2022/2023 é “positivo, dentro do possível”
30deJunhode2022ás11:10

 

“Positivo, dentro do possível”. Essa está sendo a definição mais repetida para o Plano Safra 2022/2023 entre entidades do agro após o Governo anunciar, ontem (dia 29), os novos valores e condições, que entram em vigência a partir de julho. 

Com R$ 340,8 bilhões em crédito para a produção agropecuária, e aumento de 36,2% com relação ao safra 2021/2022, o novo Safra é, segundo representantes do setor, o “melhor e mais robusto” considerando a crise econômica mundial, atualmente agravada pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

O vice-presidente da CNA e presidente da Comissão Nacional de Política Agrícola da entidade, José Mário Schreiner (foto), diz que as medidas anunciadas foram as “possíveis” diante das dificuldades enfrentadas em todo o mundo como inflação e taxas de juros alta, além do encarecimento dos custos de produção.

“O mais importante agora é que esses recursos cheguem na mão do produtor, para que eles comprem seus insumos, fertilizantes, para fazer um plantio correto, gerando emprego, aumentando o PIB, combatendo a inflação e levando alimentos a todos os 220 milhões de brasileiros”, avaliou.

Ainda de acordo com Schreiner, é importante destacar os esforços do Governo para que as taxas de juros aos pequenos e médios produtores ficassem abaixo de dois dígitos.

Ele lembrou que esta era uma das propostas prioritárias apresentadas pela CNA para Safra.

“Poderia ser melhor? Sim. Mas temos de avaliar a taxa Selic, temos de avaliar todo o esforço orçamentário que foi feito por parte do governo federal para poder alocar esses recursos”, ressaltou.

Da mesma forma, reforça o político, é importante que o Governo agora esteja concentrado em garantir, no orçamento de 2023, ao menos R$ 2 bilhões para o programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR).

Temos visto cada vez mais problemas climáticos, com secas e chuvas, e precisaremos assegurar pelo menos que conseguimos no ano passado, em torno de 14 milhões de hectares. E também precisaremos trabalhar no Congresso recursos suficientes para outras subvenções”. 

“Produtores terão condições de plantar”, diz FPA

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR), enalteceu que o novo Plano Safra assegura ao pequeno e médio produtor “condições de plantar”.

 “Estávamos preocupados com a possibilidade de ter taxa de juros alta e volume menor, mas aconteceu ao contrário. O pequeno e médio produtor terão condições de plantar. Conseguimos cuidar de quem mais necessita e ter um plano safra robusto.” 

"Ainda é pouco", pondera Aprosoja

A Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), em nota publicada em seu site, disse que o novo Plano Safra atende as demandas da entidade ao priorizar pequenos e médios produtores, que será importante para viabilizar a agricultura sustetável, mas ainda considerou “pouco” para a relevância do agro brasileiro.

“O Plano Safra atende prioritariamente os pequenos e médios, mas ainda é pouco para o que o agro como um todo devolve como benefício para toda a sociedade”, ponderou  o presidente em exercício da Aprosoja Brasil, José Sismeiro. 

A Aprosoja destacou como positivo a oferta de financiamento de remineralizadores de solo (pó de rocha) por seu “potencial de reduzir a dependência dos fertilizantes importados”, um dos grandes problemas enfrentados hoje pela agricultura nacional. 

 

 

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