Massagem em vacas eleva produção de leite

“Spa das mimosas" alia bem-estar, produção orgânica e digitalização na Dinamarca

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Massagem em vacas eleva produção de leite
30deJunhode2022ás19:57

A Dinamarca é referência na Europa na produção de leite, bem-estar animal e, também, em orgânicos. Pois encontramos todos estes elementos na Olmager Okologi Aps, uma fazenda focada na produção de leite orgânico, na região de Ringkøbing, no Oeste do país.

A propriedade do casal Torben Dalsgaard e Lene Møller possui cerca de 2 mil hectares, uma grande propriedade para os parâmetros dinamarqueses, e 700 vacas, além da produção de cevada, aveia, trigo e pasto.

Nem sempre foi assim, o trabalho começou com a família há 70 anos com apenas 90 hectares e 90 vacas. Desde 1998, toda a produção da fazenda tornou-se orgânica e desde então vem aprimorando as práticas de bem-estar animal.

Fomos recebidos pela proprietária e administradora da fazenda, Lene Møller, que apresentou a moderna sala de ordenha mecânica digitalizada. Aliás, a propriedade também é referência em gestão digital para monitoramento e tomada de decisão data a partir de dados.

O manejo das vacas é realizado também por estudantes universitários das faculdades de veterinária da região, ao salário de cerca de R$ 43 por hora. Eles são responsáveis pela operação da ordenha e tratar os animais.

“Assim, os produtores encontram mão de obra qualificada e familiarizada com a digitalização da atividade, bem como com os princípios de bem-estar animal e produção orgânica”, contou Lene.

Deste modo, a produtividade média chega a 10,5 mil litros por vaca a cada ano, próximo aos indicadores do principal produtor do mundo, a Nova Zelândia. Em termos de comparação, a produção média no Brasil gira ao redor dos 3,5 mil, um número 66% menor.

Hoje, a fazenda tem também as certificações exigidas para ser fornecedora da marca Arlan, Danish Crown e da cooperativa Danish Agro Group, além de outras empresas e mercados no país, Finlândia e na Alemanha.

Estábulos

As 700 vacas da propriedade são da raça Holstein (ou holandesa, como também chamamos no Brasil) e dispõem de espaço, palhadas e ambiente enriquecido nos currais.

Por exemplo, máquinas que massageiam os animais e, além de aumento o bem-estar, remove insetos e outros possíveis incômodos. “Nós observamos já há anos que a massagem, como outros itens de bem-estar, aumenta a produtividade”, afirma Lene.

 

As instalações são divididas entre a área de vacas lactantes, bezerras e vacas velhas que, ao final de seu ciclo, são abatidas na região e vendidas para grandes redes de fast food.

Os currais também contam com sensores para monitoramento de diversos indicadores dos animais de forma individual e softwares que ranqueiam o desempenho em relação a produtores de toda Dinamarca.

“Usamos estas ferramentas diariamente para acompanhar a produção e o bem-estar de cada animal. Monitorar diversos fatores como a temperatura de cada uma delas ou sua produção de leite. Ver o painel de dados é a primeira atividade todos os dias”, diz.

Lavouras

Já as lavouras contam com uma estação, chamada Fieldsense, capaz de medir oito indicadores (como temperatura, humidade, vento e outros), e atualizar a base de dados a cada 10 minutos.

Segundo a empresa, há 2 mil dessas bases no norte de Europa de forma remota para apoiar os agricultores a cada momento. Vale lembrar que as lavouras não usam nenhum tipo de defensivos.  

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