Aves e suínos podem competir com plant based?

Pesquisa da ABPA mostra que apenas 3% dispensam proteína animal na dieta

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Prato de estrogonofe suíno. (Crédito - ABPA)

Prato de estrogonofe suíno. (Crédito - ABPA)

07deJulhode2022ás08:44

“Quando se fala em proteínas e comidas alternativas, acredito numa relação de coexistência, há espaço para todos, inclusive temos associados, como a BRF e a Seara, que também estão com uma linha plant based”, afirma Luis Rua, diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que reúne os segmentos de aves e suínos. Ele acredita que outras empresas também estejam caminhado para isso.

A maioria dos produtos de origem vegetal que o diretor tem observado na sua área e que levam nome relacionado a animal são de aves, enquanto que de suínos diz não ter visto quantidade relevante.

A ABPA entende que ainda são produtos de um nicho de mercado. Para comprovar, Rua fornece dados de pesquisa realizada pela entidade ano passado com 2.500 consumidores de todo o País.

Os que não consomem frango, suínos ou ovos por serem vegetarianos ou veganos não chegaram a 3% dos entrevistados, “é um pouco a mais que a pesquisa anterior, mas ainda é quantidade pequena”, avalia. Os que consomem ovos foram 96%, frango 94% e suínos 80%.

Indústria é atenta e ágil

O diretor comenta que o setor é “muito antenado”, dinâmico e segue as tendências de consumo, não identificando grandes movimentações da indústria por este público ainda ser restrito. O faturamento dessas linhas é ínfimo, como afirma, na comparação ao total das empresas de maior porte.

A proteína vegetal, como acredita Rua, não deve tomar de maneira agressiva o mercado de proteína animal e aponta que seu custo continua muito elevado.

“Por hora, no curto e médio prazo não vemos risco de troca de um produto pelo outro, mas vão existir paralelamente”, diz.  Sobre as exportações nacionais, constata que não tem sido afetadas e que esta tendência deve se manter.

Rotulagem

O aspecto que envolve o uso nos alimentos de origem vegetal de nomes referentes a produtos de origem animal, tema sensível dentro das cadeias, tem sido discutido entre associados da ABPA e áreas do governo. 

No entanto, Rua informa que a entidade não tomou uma decisão sobre a postura que adotará, se oposta ou se acompanhará o assunto vendo seus desdobramentos .”Mas a princípio, uma coisa é uma coisa e a outra coisa e outra coisa”, diz.

As cadeias têm igualmente focado na questão da narrativa associada a estes produtos em áreas como sustentabilidade e bem-estar animal. Como enfatiza o diretor, “cada pessoa tem o direito de fazer suas escolhas de consumo e crenças, sobre isso não se discuti”.

Ele reconhece que, no Brasil e no mundo, quesitos como sustentabilidade, sanidade e qualidade são cada vez mais demandados pelo consumidor e que o setor estará sempre preparado para atender a esses aspectos.

Segundo informa, são respeitados no País padrões internacionais de bem-estar animal no campo, transporte e insensibilização no abate. Também garante o não uso de hormônios, proibidos pela legislação, e que são respeitados os limites de resíduos bem se está atento ao uso de antimicrobianos.

Rua comenta que “os associados da entidade são muito vigiados”, tanto por órgãos nacionais como por missões internacionais. Em ano normal, são mais de mil visitas, calcula.

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