Pecuária bovina vê proteína vegetal como concorrente

Mas setor avalia plant based como “mercado restrito” e impacto a longo prazo

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Nelore em regime intensivo a pasto no Brasil. (Luiz H. Pitombo)

Nelore em regime intensivo a pasto no Brasil. (Luiz H. Pitombo)

08deJulhode2022ás18:44

Estudo recente divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pelo Centro de Inteligência da Carne Bovina (CICarne), da Embrapa Gado de Corte, traça uma visão sobre megatendências para o setor nas próximas décadas.

Dentre elas estão a importante concorrência das proteínas de aves e suínos ou outras. Guilherme Malafaia, coordenador do CICarne, mostra projeção da consultoria Kearney de como a demanda por carne bovina seria atendida em 2050. A carne convencional responderia por 40%, o produto cultivado em laboratório por 35% e o de base vegetal 25%.

No entanto, é cético sobre a carne cultivada por desafios em sua obtenção em grande escala, custos e outros. Os custos também são, como avalia, um limitador para a proteína vegetal.

 

Mas, diz que a projeção é sinal para toda a cadeia trabalhar aspectos da intensificação e com olho na pegada ambiental, também megatendências como o bem-estar animal e a integração com grãos e florestas.

Proteína vegetal cresce mas a bovina também

Malafaia constata que o setor de base vegetal está em expansão global atraindo a grande indústria e as foodtechs estimuladas por um novo perfil de consumidor que busca dieta mais sustentável .”Ainda é para certo segmento, talvez sempre o seja, mas deve aumentar”, diz. As projeções igualmente apontam o crescimento da carne bovina e dasexportações nacionais.

O produto nacional a preços competitivos, como indica, tem evoluído bastante em sua produtividade, o sistema 80% a pasto é sustentável e temos protocolos que evitam o sofrimento animal. Mas igualmente avalia a existência de produtores que ainda precisam melhorar e que temos grandes oportunidades para isso que reduzem o ciclo da pecuária e trazem uma carne carbono neutro.

Malafaia acredita que a principal falha do setor é a falta de comunicação correta que dá margem para que se promovam produtos através de aspectos que consideram negativos.

Nicho e possíveis reflexos

José Roberto Ribas Filho, produtor rural e vice-presidente da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), define a proteína vegetal como um nicho mas também a vê como concorrente.

Ele considera que reflexos nos preços pecuários só a partir de uma escala muito maior, porém num processo demorado e gradual fazendo que tais impactos não fossem sentidos. “Ninguém sabe ainda, mas acredito que deva se manter um nicho e avançar entre veganos e vegetarianos, não vai atrapalhar muito e vamos conviver”, diz.

A perspectiva é de aumento na demanda por carne bovina, como indica Filho, não acreditando que as exportações sejam afetadas. O representante da entidade argumenta que no grande mercado externo brasileiro, o asiático, a maior renda trás é demanda por carne e que a África vem aí. Ele afirma que continua otimista e a investir como os frigoríficos.

O que desagrada o dirigente são questões dirigidas à pecuária referentes ao meio ambiente e emissões de gases de efeito estufa, que segundo enfatiza, já foram amplamente contestadas e comprovadas.

“Na pecuária intensiva pelo manejo adequado dos pastos e técnicas utilizadas, ela sequestra mais carbono, na pecuária extensiva o balanço pode ser neutro ou pouco negativo”, fala. 

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