Pesquisa francesa sugere “xixi” como opção a fertilizante químico

Com preço dos insumos nas alturas, interesse pela alternativa aumentou

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Aplicaçao de concentrado de urina em lavoura de trigo em Saclay, na França. (foto - Lessu - Ocapi)

Aplicaçao de concentrado de urina em lavoura de trigo em Saclay, na França. (foto - Lessu - Ocapi)

22deJulhode2022ás10:03

Pesquisadores franceses do Lessu (Laboratório de Meio Ambiente e Sistemas Urbanos) defendem a urina humana como alternativa valiosa aos fertilizantes químicos.

O estudo do Ocapi (Programa de Pesquisa e Ação sobre Sistemas de Alimentos) demonstra que o “xixi” pode ser eficaz e menos poluente do que os fertilizantes agrícolas existentes.

Pode não ser má ideia até mesmo pela oferta e os preços dos fertilizantes, que disparam com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Por conta do conflito, inclusive, o uso de urina como fertilizante vem atraindo mais interesse.

O pesquisador Fabien Esculier disse ao canal de televisão Euro News que a urina é uma alternativa rica em nutrientes, com relevantes quantidades de nitrogênio, fósforo e potássio.

A pesquisa “A utilização da urina humana da agricultura” levou três anos para ser concluída e mostra que os nutrientes na urina podem ser separados na fonte e usados ​​na agricultura.

Uma vez que a urina é separada, diferentes tratamentos podem ser aplicados para estabilizar o nitrogênio, reduzir o volume, tratar contaminantes ou extrair nutrientes.

O Rich Earth Institute em Vermont vem defendendo a reciclagem de urina há anos. Segundo ele, já existem várias iniciativas que coletam urina para esse fim. O próprio laboratório vem aplicando urina higienizada em campos de feno e quantificando o rendimento das colheitas.

Sua pesquisa mostra que não houve diferença estatisticamente significativa nos rendimentos de feno fertilizado com urina diluída, urina não diluída e fertilizante sintético.

Nutriente concentrado

O Ocapi reconhece que, como a urina contém muita água, pode ser caro para transportar e armazenar, e também trabalhoso para aplicar em terras agrícolas. O nitrogênio na urina armazenada tem a forma de amônia, que é propensa à evaporação e requer manuseio especial durante a aplicação do fertilizante.

Para enfrentar esses desafios, os pesquisadores do instituto estão experimentando métodos inovadores para estabilizar o nitrogênio na urina, bem como a adaptação de equipamentos de osmose reversa (usados ​​por velejadores para fazer água potável a partir da água do mar) para uso na produção de um produto fertilizante concentrado.

Mictórios

E em Gotland, uma ilha na Suécia, pesquisadores estão coletando urina de mictórios sem água e banheiros especializados durante a temporada turística de verão. A equipe da Universidade Sueca de Ciências Agrárias (SLU) em Uppsala fundou uma empresa chamada Sanitation360.

Usando um processo que os pesquisadores desenvolveram, eles estão secando a urina em pedaços semelhantes a concreto que eles martelam em pó e pressionam em pellets de fertilizante que se encaixam em equipamentos agrícolas padrão.

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