CNA prevê 300% mais drones de pulverização até 2028

Entidade fez a estimativa baseada na demanda atual do serviço no campo

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Crédito das imagens: divulgação/CNA Brasil.

Crédito das imagens: divulgação/CNA Brasil.

22deJulhode2022ás10:54

O número de drones de pulverização em operação no Brasil deve saltar dos 2,5 mil, estimados atualmente, para cerca de 10 mil aeronaves até 2028, de acordo com previsão da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA). 

O crescimento de 300% é projetado pela entidade a partir do aumento da oferta do serviço em 2022, do maior interesse dos produtores rurais, consequência da precisão no campo, e até mesmo da mobilização política em torno da regulamentação.

Em setembro do ano passado, como exemplo, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou a Portaria 298, que estabelece regras para operação de Aeronave Remotamente Pilotada (ARP) destinada à aplicação no campo.

A regulamentação busca adequar as exigências legais às especificidades da tecnologia e também trazer segurança jurídica para os operadores de ARP.

“Os drones são uma realidade no meio rural do Paraná. Tanto que o nosso curso de operação do equipamento é um dos mais demandados do catálogo. E esse movimento ainda tem muito espaço para crescer”, diz Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR.

A declaração foi dada à CNA, em reportagem publicada ontem (dia 21), no site da entidade. 

Serviço já é oferecido por cooperativas

No Paraná, os drones de pulverização entraram para o portfólio de serviços ofertados por cooperativas aos associados.

Exemplo é a Cocamar, com sede em Maringá, que desde janeiro já cobriu 800 hectares com o serviço, e afirma ter agenda “disputadíssima”, principalmente entre produtores de soja e milho.

“Já estamos fazendo divulgação agora na entressafra para adiantar o mapeamento das áreas, para quando chegar o verão não precisar perder tempo com essa parte”, explica a agrônoma Stephanie Squissatti Fajardo, que está à frente da operação na cooperativa.

Ela conta que o equipamento adquirido, da marca chinesa Xag, permite operar dois drones ao mesmo tempo por uma única pessoa (o que ainda é incomum nessa tecnologia), porém existe a exigência de um gerador ligado o tempo inteiro na área pulverizada.

Cada voo dura em torno de 10 minutos, tempo para abranger uma área de pouco mais de um hectare.

Corrida aos drones de pulverização exige cautela

A corrida aos drones de pulverização, entretanto, exige pesquisas quanto aos efeitos da aplicação com essa tecnologia.

Questões como diluição, parâmetros para evitar deriva, diferenças nos efeitos agronômicos e qualidade da aplicação têm sido alvo de estudos científicos encomendados pelas indústrias de insumo, como conta Ulisses Antuniassi, professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) de Botucatu.

Em termos de tecnologia de aplicação, segundo Antuniassi, o drone tem sido campeão de demanda de pesquisas.

Ele lembra que, apesar de uma série de entendimentos em consolidação, até mesmo em termos de nomenclatura e categorização, os equipamentos ainda não estão previstos na bula dos principais produtos químicos e a regulamentação do Mapa é “parâmetro inicial”.

“As empresas ainda estão gerando informações sobre os parâmetros de aplicação com drones. Honestamente, drone não é um avião. Ainda há um caminho de pesquisas para percorrer. Isso leva um certo tempo”, detalha o especialista.

Ainda assim, para ele, não restam duvidas de que se trata de um mercado em uma evolução intensa. “Já nos próximos dois ou três anos teremos um cenário com mais informações com base científica e, naturalmente, a regulamentação dessa tecnologia deve acompanhar essas transformações”, projeta o pesquisador.

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