ABPA prevê maior produção de aves e suínos em 2022

Entidade também projeta crescimento para 2023 nos dois segmentos

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Brasil deve produzir 14,5 milhões de toneladas de carne de frango em 2022. (Foto: Getty Images)

Brasil deve produzir 14,5 milhões de toneladas de carne de frango em 2022. (Foto: Getty Images)

28deJulhode2022ás16:58

A produção brasileira de carne de frango poderá crescer até 1% em 2022, na comparação com 2021, e alcançar 14,5 milhões de toneladas. 

Também a oferta da carne suína deve ser maior este ano, com alta de até 5%, somando 4,95 milhões de toneladas.

As informações são da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) que apresentou hoje (dia 27) suas projeções para produção, exportações e consumo na avicultura e suinocultura do Brasil em 2022 e 2023.

De acordo com a ABPA, a disponibilidade da carne de frango no mercado interno também deverá terminar em níveis positivos, com elevação de até 0,5% em 2022, alcançando 9,78 milhões de toneladas

“Os produtores têm mantido a disponibilidade interna de produtos, o que sustentou os níveis per capita. Os programas de auxílio à renda que chegarão ao mercado ainda este ano deverão incrementar o poder de compra da população”, analisou o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota.

Crescimento das exportações

Já as exportações de aves, conforme a ABPA, deverão alcançar neste ano até 4,9 milhões de toneladas, número 6% maior que o registrado no ano anterior.

“A questão sanitária internacional ainda deve pressionar o comércio global de carne de frango. Novos focos de influenza aviária foram identificados entre os grandes produtores, sustentando a demanda de grandes exportadores livres da enfermidade, como é o caso do Brasil.”, avaliou Santin.

Para ele, outros fatores que contam são: “redução da participação da Ucrânia no comércio internacional, a retirada das tarifas de importação do México até o próximo ano, a forte demanda filipina e a redução temporária das tarifas sul-coreanas de importação também impactarão no saldo das exportações”, completa Santin.

Ainda segundo as perspectivas da ABPA, a alta na carne de frango para o ano que vem é projetada em até 5% na produção, sendo a disponibilidade interna esperada para 2023 de 9,8 milhões de toneladas. 

Em 2023, a expectativa é de exportações novamente 6% superiores, alcançando até 5,2 milhões de toneladas.

 Carne suína busca superar crise

Para carne suína, as projeções da ABPA indicam crescimento de até 5% na produção em 2022, podendo alcançar 4,95 milhões de toneladas. Em 2023, a produção deverá chegar a até 5,1 milhões de toneladas, com elevação de 3%. 

A disponibilidade de produtos para o mercado interno em 2022 deverá ser até 9% maior, com 3,9 milhões de toneladas. Para 2023, a expectativa é de nova elevação, chegando a 3,95 milhões de toneladas, número 2% maior.

“A carne suína está mais competitiva que as demais proteínas, o que tem gerado um considerável impulso no consumo interno que deverá pela primeira vez atingir os 18 quilos per capita”, analisa Luís Rua, diretor de mercados da ABPA.

Neste sentido, as exportações projetadas pelo setor para o ano deverão alcançar até 1,1 milhão de toneladas, número 3% menor que o registrado em 2021, mas mesmo assim o segundo melhor resultado da história da suinocultura brasileira.

Em 2023, entretanto, é esperada nova elevação, de até 9%, com volumes que podem alcançar 1,2 milhão de toneladas. 

“Há expectativa de incremento nas importações chinesas de carne suína ao longo do segundo semestre, o que deverá favorecer as exportações do setor, conforme já temos notado. Soma-se a isto a abertura do mercado do Canadá, as reduções tarifárias da Coreia do Sul e Vietnã, além da ampliação das vendas para novos mercados, como a Tailândia. Muito possivelmente a média mensal de exportações ficará próxima das 100 mil toneladas a partir de agora”, completa Rua. 

 

Estudo de competitividade setorial

A ABPA apresentou também pontos de um amplo estudo que detalha fatores da capacidade competitiva da avicultura e da suinocultura do Brasil. 

Um dos pontos abordados foi o aumento dos insumos que compõem a produção. O polietileno utilizado na produção de embalagens acumulou alta de 61% entre 2018 e 2021, segundo o estudo.  

A energia elétrica aumentou, no mesmo período, 32% - mantendo o Brasil entre os países com custos energéticos menos competitivos, em comparação com outros grandes exportadores mundiais de proteínas.

Os custos também se tornaram mais elevados na logística de exportação.  A média do frete internacional por contêiner saltou de US$ 3,89 mil dólares em 2018, para mais de US$ 7 mil em 2021. 

“O estudo nos mostrou que, além de repensarmos questões fundamentais para o país como a carga tributária que recai sobre os insumos, é preciso fortalecer as políticas de oferta destes elementos fundamentais para produção. ”, conclui Ricardo Santin.

O estudo completo será apresentado durante o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS), maior evento dos setores no país, que será realizado entre 09 e 11 de agosto, no Anhembi Parque, em São Paulo (SP).

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