Embrapa comprova eficácia de inoculante contra perdas no milho

Produto contribui para evitar danos causados pela competição da forrageira

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Inoculante reduz perdas de produtividade do milho consorciado com braquiária. (Foto: Embrapa)

Inoculante reduz perdas de produtividade do milho consorciado com braquiária. (Foto: Embrapa)

02deAgostode2022ás11:40

Pesquisa conduzida pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) comprova a eficácia do uso de inoculante à base da bactéria Azospirillum brasilense na redução de perdas na produtividade do milho causadas pela competição com a forrageira. 

Além do bom desempenho agronômico, o microrganismo, quando em associação com gramíneas, como o milho, demonstrou também auxiliar no crescimento das raízes, em virtude da ação dos fitohormônios, que ampliam a fixação do nitrogênio nas plantas. 

O estudo demonstrou resultados positivos em solos argilosos e lavouras consorciadas com as duas gramíneas. 

Para a Embrapa, o ponto alto da descoberta é o fato de que a tecnologia favorece a redução do uso de adubos nitrogenados e contribui para a implantação de uma agricultura mais sustentável.

O trabalho foi publicado na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB). 

Deficiência de Nitrogênio 

O engenheiro agrônomo e analista da Embrapa, Gessí Ceccon, explica que, no caso da lavoura de milho consorciada com braquiária, é comum a deficiência de nitrogênio, um dos principais elementos responsáveis pela produção dos grãos. 

Daí a relevância da pesquisa uma vez que a alta demanda desse elemento químico pelas plantas e sua baixa disponibilidade em solos brasileiros tornam a adubação nitrogenada uma prática indispensável. 

“Os fertilizantes inorgânicos acabam sendo a forma tradicional e padrão de adição desse nutriente no solo”, afirma Ceccon. 

Para ele, a tecnologia de inoculação amparada em um insumo biológico, como o Azospirillum brasilense, e associado a um inseticida biológico, diminui impactos ambientais.  “Essa é uma alternativa sustentável e viável em tempos de escassez e preços elevados dos fertilizantes químicos”, reforça. 

Solo e cobertura 

O engenheiro agrônomo destaca ainda que, a partir do segundo ano de consórcio, a braquiária começa a deixar no solo cobertura, ou seja, matéria orgânica, o que contribui para o maior crescimento das raízes de milho. 

“A inoculação do milho com Azospirillum não substitui completamente a adubação química, que contém outros elementos, além do nitrogênio, tais como potássio, fósforo, cálcio e magnésio. Mas reduz os custos relacionados à quantidade de fertilizantes demandada pelas lavouras, proporcionando ganhos para o produtor.”     

O pesquisador conta o estudo avaliou o desempenho agronômico de milho consorciado com a forrageira Urochloa ruziziensis (nova nomenclatura científica da Brachiaria ruziziensis), em sucessão à soja inoculada com as bactérias fixadoras de nitrogênio Bradyrhizobium japonicum e Azospirillum, bem como a inoculação e a reinoculação do milho com A. brasilense, em solo arenoso. 

“Na literatura científica é observado que essa bactéria beneficia as lavouras, quando todas as condições são satisfeitas, porém nesse estudo constatamos que esse inoculante biológico fez efeito mesmo em condições restritivas.”

 

 

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