Desaceleração da economia faz cair confiança no agro

IC Agro recuou 1,2 ponto no segundo trimestre de 2022 e fechou o semestre em 110,3, diz Fiesp

Por |
Indicador de insumos agropecuários, na contramão, registrou alta no período. (Foto: Freepik).

Indicador de insumos agropecuários, na contramão, registrou alta no período. (Foto: Freepik).

02deAgostode2022ás15:16

O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) fechou o 2º trimestre de 2022 em 110,3 pontos, queda de 1,2 ponto na comparação com o levantamento de janeiro a março

A informação foi divulgada nesta terça (dia 2) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A entidade aponta a “preocupação com a economia mundial” como principal justificativa para o resultado.

Ainda de acordo com a Fiesp, as perspectivas de desaceleração econômica, puxada pela alta dos juros para combater a inflação, resultaram na queda do indicador no período.

A falta de confiança no crédito rural - após congelamentos do Plano Safra 2021/2022, também é citada pela Fiesp como “item” diretamente relacionado ao agricultura e a pecuária para retenção no IC Agro.

Ainda assim, indicador permanece em patamar moderadamente otimista, acima de 100 pontos. 

Na contramão 

O estudo revela que apenas dois indicadores fecharam o segundo trimestre em alta: o primeiro deles é o de insumos agropecuários, que termina o período com 109,8 pontos, um acréscimo de 2,01 pontos.

De acordo com Roberto Betancourt, diretor titular do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, um dos motivos para tal foi o alívio na oferta de insumos no mercado brasileiro.  

“No primeiro trimestre, havia uma preocupação de que pudessem faltar fertilizantes, principalmente após o início da guerra na Ucrânia e à imposição e sanções econômicas à Rússia”, lembra o empresário. 

Porém, o cenário não se confirmou e, segundo lembra Betancourt, o Brasil não só importou volumes recordes de adubos em 2022, como acompanha a retomada do setor de suprimento de defensivos

“Em geral os preços internacionais dos insumos caíram no trimestre e, embora permaneçam em patamares altos, as relações de troca já não são tão ruins quanto no primeiro trimestre”, avalia. 

E também o Índice de Confiança do Produtor Pecuário subiu do primeiro para o segundo trimestre: 103,8 pontos, alta de 2,4 pontos. 

Parte do resultado positivo pode ser atribuído as exportações de carne bovina que bateram recordes no primeiro semestre, com bons resultados tanto em volume quanto em receitas. 

Outro fator a considerar é que a avaliação dos custos de produção, embora continue pessimista, melhorou um pouco nos últimos meses, graças aos recentes recuos dos preços dos fertilizantes (especialmente no caso da ureia) e dos grãos, com impacto positivo sobre as rações.

Antes e Depois da Porteira 

O nível de confiança das indústrias inseridas nas cadeias produtivas agropecuárias oscilou em direções diferentes – para cima no caso das empresas do pré-porteira (fabricantes de insumos) e para baixo dentre as do pós-porteira (como as de logística e de alimentos). 

Na média, acabou fechando o período em 113,1 pontos, com queda de 1,4. 

Já o IC Agro na Indústria Depois da Porteira, apesar da redução de 2,9 pontos, encerrou o período com 114,5, o nível mais alto de otimismo. Porém, fatores como o preço elevado da energia e aumento com custos de produção geram preocupação e pode refletir no próximo período.

Também os índice do produtor agropecuária e produtor agrícola caíram entre abril, maio e junho. O primeiro fechou em 106,3 pontos, queda de 0,8 ponto; enquanto o segundo ficou com 107,2 pontos, queda de 1,9 no período.

O estudo completo pode ser conferido no site da Fiesp.

Cargando...