Novela Pantanal: a semelhança não é mera coincidência

    Sistema produtivo mostrado em novela já é realidade no Mato Grosso

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    Em três anos, área com SAF no Mato Grosso aumentou em cerca de 1.000 hectares. (Foto: Embrapa)

    Em três anos, área com SAF no Mato Grosso aumentou em cerca de 1.000 hectares. (Foto: Embrapa)

    16deAgostode2022ás11:09

    O público da novela Pantanal, exibida pela Rede Globo, vem acompanhando o personagem Jove (Jesuíta Barbosa) e sua “defesa” da utilização de sistemas agroflorestais (SAFs) nas fazendas do pai, José Leôncio (Marcos Palmeira). 

    Fora da ‘telinha”, o sistema já é realidade em várias regiões do país, inclusive no norte de Mato Grosso onde, com auxílio da Embrapa, cada vez mais essa estratégia produtiva é adotada, sobretudo na agricultura familiar.

    Conforme estimativa feita na avaliação de impacto da tecnologia elaborada pela Embrapa Agrossilvipastoril, de 2016 até 2019, a área com SAF na região norte de Mato Grosso aumentou em cerca de 1.000 hectares.

    Desta forma, passou de 706 hectares, segundo o Censo Agropecuário, para 1700 ha. 

    Uma grande parte dessa expansão se deu com SAFs biodiversos, conduzidos em transição agroecológica ou de forma orgânica e cultivados fora de áreas de preservação permanentes degradadas.

    Outra estratégia muito adotada é o sistema silvipastoril biodiverso, com foco em pecuária, também conhecidos como “pasto muvuca”. 

    Segundo a Embrapa, esse conjunto de tecnologias vem sendo trabalhado, como exemplo, pelo Instituto Ouro Verde com diversas famílias de Alta Floresta e região.

    Intercâmbio de conhecimento

    O engenheiro florestal Diego Antonio, analista da Embrapa Agrossilvipastoril, destaca que o processo de transferência de tecnologia em sistemas agroflorestais tem, entre seus pilares, o intercâmbio de conhecimento entre toda cadeia produtiva.

    Com isso, o resultado do trabalho feito é o aumento do interesse e das demandas referentes ao uso de SAFs.

    Além disso, e desde 2011 a Embrapa Agrossilvipastoril realiza um processo de capacitação continuada de técnicos e extensionistas rurais que já contou com cerca de 100 alunos nos dez módulos realizados.

    “Cada vez mais temos políticas públicas federais, como Fundo Amazônia, e estaduais, como o Programa PCI (Produzir, conservar e incluir), nas quais os SAFs ocupam espaço de destaque”, explica o engenheiro.

    “Temos sido chamados a contribuir com elaboração de editais, como o REM Mato Grosso, e com a avaliação de projetos. Isso mostra que a influência vai além do desenvolvimento tecnológico em si, mas também da chancela da eficiência da tecnologia como forma de geração de renda aliada a preservação ambiental.”

    Como funciona?

    Os sistemas agroflorestais são formas de produção sustentável em que o cultivo de espécies agrícolas e arbóreas é feito de modo consorciado, visando imitar a sinergia que ocorre na natureza. 

    Por se tratar de uma estratégia de uso do solo com cultivos perenes, os SAFs contribuem com o sequestro de carbono, melhorias dos atributos do solo, retenção e infiltração de água e redução de perdas de solo.

    Os SAFs podem ser com uso de poucas espécies arbóreas, como no caso dos sistemas silvipastoris (SSP) ou agrossilvipastoris, ou biodiversos, que são aqueles com utilização de uma grande quantidade de espécies.

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