FPA: setor agro busca segurança alimentar
Impacto da pandemia piorou o quadro no Brasil e no mundo
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A insegurança alimentar é, sem dúvidas, uma das principais preocupações mundiais do século XXI, e possui no Brasil e no mundo algo em comum: a urgência em erradicá-la.
O índice no país é de 36% (33,1 milhões de pessoas), maior que a média mundial, que ficou em 35% em 2021. Diante disto, a Frente Parlamentar da Agropecuária trabalha para transformar o cenário e projetar um futuro mais sustentável e desenvolvido.
Dados divulgados no mês de julho deste ano pela Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) referente ao relatório de Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, indicam que o número de pessoas afetadas pela fome no planeta, desde o início da pandemia, chega a cerca de 150 milhões de pessoas.
Apenas em 2021, aproximadamente 828 milhões de pessoas sofreram com a falta de alimentos, com contribuição significativa dos impactos econômicos dos últimos dois anos. De acordo com o mesmo relatório, apesar das esperanças de que o mundo sairia fortalecido após o ápice da Covid-19, a fome aumentou.
Apesar da pandemia e das consequentes implicações na segurança alimentar, o setor agropecuário brasileiro apresentou a maior geração de novas vagas de trabalho dos últimos 10 anos.
Geração de empregos
Em 2020, por exemplo, a expansão foi de 142.690 novas vagas de trabalho no somatório de todos os setores da economia brasileira. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo CAGED).
Na ocasião, o agro abriu 61.637 novas vagas, o melhor resultado desde 2011 quando a expansão no mercado de trabalho do setor foi de 85.585 vagas, em meio à criação de 2 milhões de novas vagas no Brasil. Em 2022 já foram criados 40 mil novos empregos.
Além da geração de emprego e renda, o setor produtivo ainda contribuiu de maneira significativa com o PIB brasileiro e movimentou a economia, sendo o responsável por 27,4% em 2021 e, ainda, ter atingido o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de R$ 1,129 trilhão, 10,1% acima do valor alcançado em 2020 (R$ 1,025 trilhão).
Há, portanto, uma contribuição real do setor no auxílio para a diminuição dos problemas acerca da fome Brasil afora, mesmo em época de Covid. Ainda assim, é fundamental que haja distribuição de renda mais justa. Tanto aqui, quanto no resto do mundo.
Fome no mundo
Este é outro aspecto latente, dessa vez, em números apresentados pela FGV Social. Entre os 20% mais pobres, a quantidade de pessoas com fome aumentou 22 pontos percentuais no Brasil (de 53% para 75%), muito acima da média do mundo, de 48%.
O índice de 75% chega perto ao do Zimbábue, de 80%. Já entre os mais ricos, a insegurança alimentar diminuiu entre 2019 e 2021, caindo de 10% para 7%, percentual igual ao da Suécia. A média global é 21%.
O agro brasileiro segue sendo o esteio da economia do país e com a preocupação diária em reverter o contexto de insegurança alimentar que ainda paira. Por isso mesmo, trabalha incessantemente com apoio da FPA e das entidades que buscam o desenvolvimento pleno do setor e do Brasil.
Custos de produção
Já há algum tempo, o setor agropecuário tem tomado atitudes eficazes para colaborar com a redução do custo de produção. Não à toa, o Brasil é a segunda nação da lista de países que mais exportam alimentos no mundo.
Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), em levantamento feito em setembro de 2021, o país atende 800 milhões de pessoas ao redor do mundo e fica atrás apenas dos Estados Unidos.
Há, de acordo com a OMC, há grande possibilidade do Brasil se tornar primeiro da lista em pouco mais de cinco anos, isto porque o agro brasileiro pensa no produtor rural e no consumidor de maneira equilibrada. E através desses atores, pensam e formulam políticas e projetos de lei que auxiliam na redução da fome em caráter mundial.
A FPA, especificamente, trabalha em projetos que beneficiam de forma direta a redução dos custos e a consequente produção de alimentos em maior escala. Tratam-se dos: Pesticidas (1459/2022), Autocontrole (1293/2021) e Licenciamento Ambiental (2159/2021).
Sem a utilização dos pesticidas, os danos causados pelas pragas agrícolas podem trazer, inclusive, a escassez e o aumento do custo dos alimentos. Atualmente, apesar de toda tecnologia adotada, as pragas ainda causam danos de 42% na produção vegetal, deixando clara a necessidade de novas tecnologias para o aprimoramento da sustentabilidade da agricultura.
No caso do Autocontrole, o projeto favorece todas as cadeias de produção, das grandes às pequenas. Com a fiscalização desburocratizada e auxiliada pelas próprias empresas, que deverão criar sistemas de autocontrole para auxiliar o poder público na tarefa de manter rebanhos, lavouras e produtos saudáveis, a produção vai aumentar e os custos irão diminuir.
No que tange o Licenciamento Ambiental, a questão logística vai dar melhores condições de infraestrutura para o agro se desenvolver. Mais estradas e mais estrutura vão auxiliar na redução do tempo de deslocamento dos produtos. Além disso, atualmente, a quantidade de obras paradas e o caráter burocrático do licenciamento ambiental impedem esse avanço.