FAO: índice de preços de alimentos atinge maior nível da história

Desde 1990, as commodities alimentares nunca estiveram tão valorizadas

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FAO: índice de preços de alimentos atinge maior nível da história
08deAbrilde2022ás16:06

Os preços mundiais das commodities alimentares deram um salto em março para atingir os níveis mais altos de todos os tempos. A informação foi divulgada hoje pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) que aponta a guerra na região do Mar Negro como principal razão.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO teve uma média de 159,3 pontos em março, alta de 12,6% em relação a fevereiro, quando já havia atingido seu nível mais alto desde sua criação em 1990.

O índice acompanha as mudanças mensais nos preços internacionais de uma cesta de commodities alimentares comumente comercializadas. O nível mais recente do índice foi 33,6% maior do que em março de 2021.

Para se ter ideia, a inflação dos alimentos no Brasil ficou em 12,67% no mesmo período de acordo com o IPCA, quase dois terços menor.

Grãos

O Índice de Preços de Cereais da FAO foi 17,1% mais alto em março do que em fevereiro, impulsionado por grandes aumentos nos preços do trigo e de todos os grãos, em grande parte como resultado da guerra na Ucrânia.

A Federação Russa e a Ucrânia, juntas, responderam por cerca de 30% e 20% das exportações globais de trigo e milho, respectivamente, nos últimos três anos.

Os preços mundiais do trigo subiram 19,7% durante o mês, agravados pelas preocupações com as condições das colheitas nos Estados Unidos da América.

Enquanto isso, os preços do milho registraram um aumento mensal de 19,1%, atingindo um recorde, juntamente com os da cevada e do sorgo. Tendências contrastantes entre as várias origens e qualidades mantiveram o valor de março do Índice de Preços do Arroz da FAO pouco alterado em relação a fevereiro e, portanto, ainda 10% abaixo do nível do ano anterior.

Outros produtos

O Índice de Preços de Óleo Vegetal da FAO subiu 23,2%, impulsionado pelas cotações mais altas do óleo de semente de girassol, do qual a Ucrânia é o maior exportador mundial.

Os preços do óleo de palma, soja e colza também aumentaram acentuadamente como resultado dos preços mais altos do óleo de semente de girassol e do aumento dos preços do petróleo bruto, com os preços do óleo de soja ainda mais sustentados por preocupações com a redução das exportações da América do Sul.

O Índice de Preços do Açúcar da FAO subiu 6,7% em relação a fevereiro, revertendo quedas recentes para atingir um nível mais de 20% superior ao de março de 2021.

Os preços mais altos do petróleo bruto foram um fator determinante, juntamente com a valorização cambial do real brasileiro, enquanto as perspectivas favoráveis ​​de produção na Índia impediu maiores aumentos mensais de preços.

O Índice de Preços da Carne da FAO aumentou 4,8 por cento em março para atingir um recorde histórico, liderado pelo aumento dos preços da carne suína relacionados a um déficit de suínos para abate na Europa Ocidental. Os preços internacionais de aves também se firmaram em sintonia com a redução da oferta dos principais países exportadores após os surtos de gripe aviária.

O Índice de Preços de Lácteos da FAO subiu 2,6% e foi 23,6% maior do que em março de 2021, com as cotações de manteiga e leite em pó subindo acentuadamente em meio a um aumento na demanda de importação para entregas de curto e longo prazo, especialmente dos mercados asiáticos.

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