Embrapa e Basf firmam acordo "de convivência" entre abelhas e soja
Produtividade de soja cresceu 13% após processo de polinização, segundo estudos
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Um acordo de cooperação técnica e financeiro assinado pela Embrapa e Basf busca validar um modelo tecnológico, já a partir da safra 2022/2023, para impulsionar a convivência entre sojicultores e apicultores.
O trabalho, pautado em boas práticas agrícolas e apícolas, é focado no desenvolvimento de sistemas de produção mais sustentáveis no País e considerou o grande potencial dos dois setores no País.
Vale lembrar que soja está presente em praticamente todas as regiões brasileiras e que ocupou, aproximadamente, 40 milhões de hectares na safra 2021/2022.
“Dessa forma, em alguns casos, as áreas cultivadas com soja estão próximas de apiários fixos tradicionais, ou mesmo dos locais de colocação de colmeias em apiários migratórios”, explica a Embrapa.
Apesar do desafio da convivência harmônica, há vantagens para ambas as atividades, já apontadas em estudos anteriores.
Uma delas é utilizar a florada da soja como pasto apícola, pelos criadores de abelhas, especialmente de Apis mellifera (a abelha africanizada), em períodos de pouca disponibilidade de alimento.
“Além disso, podemos afirmar que, sob condições adequadas de visitação, a propiciado pela visitação das abelhas na soja”, diz o pesquisador Décio Gazzoni.
Segundo a Embrapa, a produtividade de soja pode ser incrementada em cerca de 13% pelo processo de polinização. Para chegar nesta conclusão, três experimentos foram instalados no campo experimental da Embrapa Soja, em Londrina (PR), nas safras de soja de 2017/2018 a 2019/2020, utilizando diferentes metodologias.
Agora, espera-se que os resultados colhidos neste novo acordo façam parte de uma cartilha contendo práticas sustentáveis para a produção de soja com baixo impacto na criação de abelhas.
Novo projeto
O novo acordo, que tem duração de três anos (2022-2025), prevê ações conjuntas em três regiões brasileiras importantes para a produção de soja no Brasil: Paraná (Maringá), Mato Grosso do Sul (Dourados) e Rio Grande do Sul (São Gabriel).
A partir da validação de um protocolo de boas práticas agrícolas, as instituições pretendem comprovar que o desenvolvimento das atividades em espaços integrados pode ser benéfico para os dois setores.
“Para a Embrapa, é fundamental propor ações em parceria, que promovam a boa convivência e estimulem o respeito às diferentes atividades de campo, com foco na sustentabilidade dos sistemas produtivos.”, destaca o chefe-geral da Embrapa Soja (PR), Alexandre Nepomuceno.
“No caso específico do relacionamento entre sojicultor e apicultor, é importante a valorização da responsabilidade mútua, o que significa respeitar os limites além de suas áreas de cultivo ou propriedades”, completa.
De acordo com o gerente de Stewardship e Sustentabilidade da Divisão de Soluções para Agricultura da Basf, Maurício do Carmo Fernandes, a empresa estabeleceu como meta aumentar em 7% ao ano a parcela de soluções que contribuem significativamente com a sustentabilidade.
"Acreditamos que investir nessa iniciativa vai contribuir para o legado da agricultura. Todos podem sair ganhando nessa relação da produção de soja e de mel. A Basf apoia e promove esse trabalho conjunto, e é por isso que nos unimos à Embrapa nesse desafio. Afinal, estamos em busca do equilíbrio ideal entre a produção agrícola e o meio ambiente", afirma Fernandes.