OCDE: 36 países debatem bioeconomia na Amazônia
Cultura do açaí foi citada como exemplo potencial de “agregação de valor”
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Estima-se que açaí seja opção de cerca de 200 mil produtores rurais da Amazônia. (foto - Sistema CNA/Senar)
A bioeconomia e a Amazônia estiveram no centro dos debates com representantes de 36 países estratégicos que compõem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O objetivo dos encontros, realizados em Paris, foi estudar e discutir políticas públicas e econômicas que sirvam como inspiração internacional.
Segundo o embaixador Carlos Márcio Cozendey, delegado do Brasil junto às Organizações Econômicas Internacionais em Paris, a OCDE desempenha importante papel na promoção de políticas e padrões baseados em evidências.
Ele acredita o debate em comunidade ajuda a fortalecer o crescimento econômico sustentável e a melhoria das condições de vida.
“Procuramos mostrar, com esse debate, por exemplo, que o combate ao desmatamento será mais bem sucedido se incluir a valorização dos produtos da floresta e a geração de emprego e renda para as populações locais”, afirmou.
Nesse contexto, a Amazônia foi um dos principais enfoques. “A agregação de valor aos produtos florestais tem o potencial de beneficiar cerca de 750 mil famílias, entre povos indígenas, comunidades tradicionais e produtores rurais que vivem na região”, disse a pesquisadora Ana Euler, da Embrapa.
Ela, que atua há 20 anos na região e compõe o comitê Gestor do Portfólio Amazônia, apresentou as novas perspectivas em sustentabilidade ambiental e bioeconomia na região. “Integrar o conhecimento ancestral desses povos com a ciência é o principal caminho para manter a floresta em pé e promover o bem-estar humano e o desenvolvimento sustentável na Amazônia.”
Açaí: símbolo da região
Produzido por cerca de 200 mil produtores rurais da Amazônia brasileira, o açaí foi apresentado como símbolo da região e destacado em uma das apresentações na OCDE.
Um questionamento é que, apesar de ter alcançado o mercado internacional e estar dentre os produtos da região, que hoje já tem reconhecido valor econômico, ainda não existem informações técnicas para embasar as ações e políticas públicas.
“Não sabemos o quanto se produz e se consome, ou mesmo as rotas de comercialização transfronteiriças do açaí, por exemplo, nesses países vizinhos que compõem a região do Platô das Guianas”, afirma Ana Euler.
Para a pesquisadora do Cirad, Nathalie Cialdella, o açaí é um pretexto ideal para cooperação regional e construção de conhecimento compartilhado entre os povos dos três países da região, seja entre os atores da cadeia produtiva ou do meio científico.
“Por ser um produto com um sentido alimentar cultural muito forte e por ter grande potencial econômico, uma vez que certos cuidados de sustentabilidade da produção, qualidade da transformação e governança da cadeia são abordados no projeto”, afirma.

Foto: Embrapa
Representantes do Brasil
Estiveram presentes na OCDE o presidente da Embrapa, Celso Moretti; o secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Cleber Soares; e pesquisadores do Cirad (França) e instituições de ensino de Portugal.