ONG faz ranking de 9 grandes empresas sobre bem-estar de suínos

    Plataforma “Porcos em Foco” não classificou nenhuma companhia com a nota A

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    Pamplona foi a empresa com melhor avaliação, um B, enquanto JBS e BRF ficaram com C. (foto - divulgação)

    Pamplona foi a empresa com melhor avaliação, um B, enquanto JBS e BRF ficaram com C. (foto - divulgação)

    26deSetembrode2022ás16:13

    A ONG internacional Sinergia Animal disponibilizou, hoje (dia 26), a plataforma online “Porcos em Foco: Monitor da Indústria Suína Brasileira” para classificar o posicionamento e as diretrizes sobre bem-estar animal de empresas da indústria de carne suína no Brasil. 

    Até agora, nenhuma das empresas (JBS, BRF, Aurora, Pamplona, Frimesa, Pif Paf, Alegra, Alibem e Master Agroindustrial) obteve pontuação máxima no ranking. O intuito da ONG é que as empresas adotem compromissos transparentes e rastreáveis de bem-estar animal para acabar com as práticas que resultam em maior sofrimento aos animais.

    Com o objetivo de fornecer maior transparência aos consumidores, a plataforma apresenta um sistema de avaliação em forma de ranking com nove das mais significativas empresas do setor no país. 

    O ranking da Sinergia Animal ficou assim:

    Categoria A - 80 A 100% Nenhuma empresa

    Categoria B - 61 A 80% Pamplona (pontuação 15/24, 62%)

    Categoria C - 46 A 60% BRF (pontuação 13/24, 54%) JBS (pontuação 12/24, 50%)

    Categoria D - 31 A 45% Aurora (pontuação 9/24, 37%) Frimesa (pontuação 9/24, 37%)

    Categoria E - 16 A 30% Pif Paf (pontuação 7/24 - 29%) Alegra (pontuação 4/24, 16%)

    Categoria F - 0 A 15% Alibem (pontuação 0/24) Master Agroindustrial (pontuação 0/24)

    “Por meio da plataforma, os consumidores podem comparar a pontuação entre diferentes empresas e tomar decisões mais conscientes sobre o que querem consumir”, afirma Taís Toledo, gerente de engajamento corporativo da Sinergia Animal.

    Segundo ela, além de ser um direito garantido pelo Código de Defesa do Consumidor, essa transparência já é uma demanda do público. “Segundo estudo realizado pela World Animal Protection, 82% dos consumidores brasileiros declararam ter interesse em comprar produtos certificados em bem-estar animal”, diz.

    Livre de gaiolas de gestação

    Dentre as práticas da indústria sobre as quais a Sinergia Animal pede melhores diretrizes às empresas e que são usadas como critérios na Porcos em Foco, estão o banimento do uso de gaiolas de gestação para matrizes, da mutilação sem gestão da dor, do uso de antibióticos em animais saudáveis, entre outras.

    "Os porcos são animais muito inteligentes e sociáveis, e essas práticas os submetem a uma vida de sofrimento e dor. Nas gaiolas de gestação, por exemplo, as porcas não conseguem sequer se virar e sofrem uma série de problemas significativos de bem-estar, incluindo risco elevado de infecções do trato urinário e ossos enfraquecidos”, diz Toledo.

    Por conta das controvérsias acerca da prática, países como Alemanha, Holanda, Reino Unido, Suécia e outros proíbem ou regulam o uso contínuo de gaiolas de gestação para porcas em suas cadeias de produção.

    “No ano passado, a Comissão da União Europeia (UE) se comprometeu a aprovar a proibição da criação industrial de animais em gaiolas até 2027, a medida deverá afetar também a produção brasileira, já que os produtos exportados para a UE deverão cumprir as novas normas”, conta Toledo.

    Resistência bacteriana

    “Outra prática que pedimos que seja banida pelas empresas é o uso não terapêutico de antibióticos, ou seja, em animais que não estão doentes. Na indústria de carne suína, é comum que porcos recebam antibióticos não para tratar uma doença, mas na tentativa de preveni-la”, explica Toledo.

    Essa prática contribui para o surgimento de bactérias super resistentes, que podem acabar contaminando os solos, os rios e os alimentos, e finalmente as pessoas, gerando um problema grave de saúde pública.

    Atualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), bactérias super resistentes matam 700 mil pessoas a cada ano e podem matar até 10 milhões de pessoas anualmente até 2050. O Brasil está entre os três maiores consumidores de antibióticos na produção pecuária mundial, junto com China e Estados Unidos.

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