Exportação de café atinge melhor resultado em 5 anos

    País embarcou cerca de 8,7 milhões de sacas nos três primeiros meses da safra 22/23

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    Recorde em receita cambial reflete câmbio favorável e o bom nível do preço médio. (foto - CNA)

    Recorde em receita cambial reflete câmbio favorável e o bom nível do preço médio. (foto - CNA)

    13deOutubrode2022ás16:34

    Os embarques brasileiros de café somaram 8,7 milhões de sacas nos três primeiros meses da safra 2022/2023 e US$ 2,07 bilhões em receitas externas, a melhor marca para o período em cinco anos.

    Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os números apresentam recuo de 2,7% em volume, mas incremento de 48,9% em receita cambial na comparação com o intervalo de julho a setembro de 2021.

    Apenas em setembro, foram exportadas 3,386 milhões de sacas de 60 kg, implicando alta de 4,5% em relação aos 3,240 milhões remetidos ao exterior no mesmo intervalo de 2021.

    Em receita, o desempenho é recorde para os meses de setembro, com o ingresso de US$ 805,5 milhões, ou avanço de 49,8% no mesmo comparativo anual.

    A performance reflete um maior ingresso dos cafés arábicas da nova safra, que contrabalança a intensa demanda das indústrias nacionais pelos cafés canéforas (robusta + conilon).

    “As exportações de arábica subiram 18% ante setembro de 2021 e registraram o segundo melhor patamar dos últimos cinco anos. Assim, no total, a queda nos envios de conilon e robusta foi compensada, gerando um fechamento positivo no mês passado”, analisa o presidente da entidade, Günter Häusler.

    Desempenho do café em 2022

    No acumulado de janeiro ao fim de setembro deste ano, as exportações brasileiras de café somaram 28,748 milhões de sacas, aferindo leve recuo de 3,9% frente aos 29,927 milhões registrados nos nove primeiros meses de 2021.

    Já a receita cambial é recorde, com os embarques rendendo US$ 6,730 bilhões até o momento, montante que representa ganhos significativos de 60,4% ante os US$ 4,197 bilhões apurados entre janeiro e setembro do ano passado.

    “As exportações de café arábica tiveram o melhor desempenho nesse intervalo de nove meses dos últimos cinco anos, contribuindo para mitigar a queda em volume até o momento”, comenta.

    Segundo Häusler, o recorde em receita cambial no agregado de 2022 reflete a taxa de câmbio favorável e o bom nível do preço médio do embarque, que avança 67% ante 2021 e chega a US$ 234,12 por saca.

    Gargalos logísticos

    Contudo, os resultados tenderiam a ser ainda melhores se fossem sanados os gargalos logísticos do país e em outras partes do mundo.

    “Não me canso de elogiar o trabalho das empresas exportadoras, que, mesmo diante de uma realidade muito aquém da normalidade, mantêm o Brasil como um leal fornecedor de café em volume, qualidade e sustentabilidade, mesmo com o aumento dos entraves logísticos em setembro”, completa.

    Ele enumerou dificuldades no comércio marítimo global, com encarecimento de custos, menor disponibilidade de contêineres, congestionamento em portos da América do Norte e Europa, falta de bookings, rolagens de cargas, entre outras adversidades.

    Maiores importadores do café brasileiro até setembro de 2022

    • 1º - Estados Unidos - 5,853 milhões de sacas, volume 2,3% superior aos 5,721 milhões comprados no mesmo intervalo de 2021. Esse volume corresponde a 20,4% dos embarques totais do Brasil neste ano.
    • 2º - A Alemanha, com representatividade de 17,7%, importou 5,097 milhões de sacas (+1,4%) e ocupa o segundo lugar na tabela.
    • 3º- Itália, com a compra de 2,393 milhões de sacas (+17,3%); Bélgica, com 2,293 milhões (+12,5%);
    • 4º - Japão, com a aquisição de 1,363 milhão de sacas (-27,5%).
    • 5º- A Colômbia, sexto lugar no ranking, elevou em 32,5% as aquisições do produto, que somam 1,150 milhão de sacas,
    • 6º - Espanha (7º), com alta de 25,4%;
    • 7º - Holanda (8º), com substancial evolução de 81,5%;
    • 8º- Turquia (9º), com avanço de 6,1%;
    • 9º - Coreia do Sul (10º), com crescimento de 26,1%.

    Exportação por tipo de café

    O café arábica segue como o mais exportado no acumulado de 2022, com a remessa de 24,673 milhões de sacas ao exterior, o que corresponde a 85,8% do total.

    Já o café solúvel registrou embarque equivalente a 2,820 milhões de sacas, respondendo por 9,8%. Na sequência, aparecem a variedade canéfora (robusta + conilon), com a exportação de 1,220 milhão de sacas (4,2%), e o produto torrado e torrado e moído, com 34.619 sacas (0,1%).

    Os cafés especiais ou algum tipo de certificado de práticas sustentáveis respondem por 18,2% das exportações totais brasileiras do produto entre janeiro e setembro deste ano.

    O volume exportado chegou a 5,224 milhões de sacas ao exterior, montante que representa leve queda de 0,5% na comparação com os 5,248 milhões de sacas no mesmo período de 2021.

    O preço médio desses cafés diferenciados é de US$ 281,90 por saca até o momento, proporcionando uma receita de US$ 1,473 bilhão nos nove meses, o que corresponde a 21,9% do obtido com os embarques totais. No comparativo anual, o valor é 52,4% maior do que o apurado no mesmo intervalo anterior.

    Principais portos do café

    O Porto de Santos (SP) segue como o principal exportador dos cafés do Brasil em 2022, com o envio de 23,430 milhões de sacas, o que equivale a 81,5% do total.

    Completando a lista dos três primeiros, aparecem os portos do Rio de Janeiro, que respondem por 13,9% dos embarques, com a remessa de 4,009 milhões de sacas nos nove primeiros meses de 2022, e Paranaguá (PR), com a exportação de 264.757 sacas (0,9%).

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