Chuvas afetam preço do trigo no Brasil e nos Estados Unidos
Cotações subiram no mercado doméstico e caíram em Chicago
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A colheita de trigo da safra 2022 atingiu 35,6% da área até 22 de outubro, percentual inferior em relação ao ano passado. (foto - divulgação)
O avanço da safra de trigo foi prejudicado no Paraná e favorecido em Santa Catarina devido a chuvas significativas na última quinzena. Agentes do setor estão atentos ao cenário que indica piora da qualidade de boa parte das lavouras.
De acordo com relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado hoje (dia 25), a colheita de trigo da safra 2022 atingiu 35,6% da área até 22 de outubro. Na semana anterior, a colheita atingia 30,6%. Em igual período do ano passado, a área colhida chegava a 45,9%.
Quanto aos preços do trigo, quase todas as praças avaliadas pelo Cepea registram novas altas. Assim, a cotação do trigo já acumula alta de 5,41% em outubro e alcança R$ 1.818,94. No total, o cereal valorizou mais de R$ 100 desde o primeiro dia útil do mês, quando era negociado a R$ 1.716,11.
| Data | Preço R$ | Preço US$ |
| 30/09/2022 | 1725,64 | 320,81 |
| 03/10/2022 | 1716,11 | 331,49 |
| 10/10/2022 | 1739,52 | 335,62 |
| 17/10/2022 | 1764,04 | 333,15 |
| 24/10/2022 | 1818,94 | 343,91 |
Chuvas benéficas nos trigais americanos
Se no Brasil as chuvas geraram atrasos nas lavouras de trigo, nos Estados Unidos, tiveram efeito contrário.
Tanto é assim que os contratos do trigo operam com preços mais baixos nas negociações da sessão eletrônica de hoje (dia 25) da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT).
Conforme a Agência Reuters, o mercado é pressionado por chuvas benéficas em áreas secas das Planícies dos Estados Unidos. Tais precipitações aumentam o potencial produtivos das lavouras de inverno recém plantadas.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou relatório sobre a evolução do plantio das lavouras de trigo de inverno. Até 23 de outubro, a semeadura estava apontada em 79%. O mercado esperava 81%. Na semana passada, eram 69%. Em igual período do ano passado, o número estava em 79% e a média dos últimos cinco anos é de 78%.
Deste modo, os contratos com vencimento em dezembro de 2022 operam cotados a US$ 8,31 1/4 por bushel, recuo de 7,50 centavos de dólar por bushel ou 0,89% em relação ao fechamento anterior.
Ontem, o mercado acelerou a queda perto do fim da sessão, pressionado pela força do dólar e por sinais de fraca demanda pelo grão dos Estados Unidos.
No fechamento, os contratos com entrega em dezembro de 2022 eram cotados a US$ 8,38 3/4 por bushel, baixa de 12,00 centavos de dólar, ou 1,41%, em relação ao fechamento anterior. Os contratos com entrega em março de 2023 eram negociados a US$ 8,58 1/4 por bushel, retração de 11,25 centavos, ou 1,29%, em relação ao fechamento anterior.
Argentina tem quebra
Já a produção de trigo na Argentina pode totalizar 15 milhões de toneladas nesta temporada. Esta seria a menor safra desde 2015/16, quando uma seca fulminante derrubou a produção a 11,4 milhões de toneladas. Mesmo que a colheita não baixe de 15 milhões de toneladas, a Argentina já perdeu US$ 1,5 bilhão em consequência do estresse hídrico nos solos.
Segundo estudo da Bolsa de Cereais de Rosario (BCR), a produtividade na Argentina é estimada em 2,72 toneladas por hectare. A área totaliza 5,9 milhões de hectares. Até o momento, a superfície apta para colheita é de 5,5 milhões de hectares.
Neste cenário, a previsão de exportações da nova temporada foi reduzida para 9 milhões de toneladas, 5,5 milhões abaixo da temporada passada. É daí que se calcula a perda de US$ 1,5 bilhão, o que representa uma renda 35% menor na comparação ano a ano. As informações são da Agencia CMA Latam.