Bloqueios em estradas deixam mercado do milho “inerte”, diz Safras
Preço da saca recua no último dia do mês, após altas durante o período
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Os preços do ceral, que vinham subindo, caíram 0,40% ontem (dia 31). (foto - CNA)
A cotação do milho registrou valorização de 1,1% durante outubro, encerrado ontem, com quedas no último dia do mês. O período foi marcado por muitas chuvas em regiões produtoras, expectativa com as eleições e pelos bloqueios de estradas por apoiadores de Bolsonaro.
Os preços do ceral, que vinham subindo, caíram 0,40% ontem (dia 31) e fecharam a R$ 83,35, após atingirem R$ 85,69 na sessão anterior. As obstruções podem preocupar compradores sobre a garantia de entrega do produto.
Segundo informações da Consultoria Safras & Mercado, as paralisações em rodovias forçadas por caminhoneiros que protestam contra o resultado das eleições presidenciais deixaram o mercado doméstico de milho inerte.
O tempo mais firme na semana passada permitiu o avanço dos trabalhos de campo envolvendo milho na maior parte das regiões produtoras da safra de verão, após semanas de chuva que atrasaram a semeadura.
Segundo pesquisadores do Cepea, mesmo com a melhora no andamento das atividades, produtores voltaram a limitar a oferta, atentos aos preços mais atrativos praticados nos portos.
Nesse cenário, compradores já relatam dificuldade nas aquisições de novos lotes, o que pode persistir em uma terça-feira de negócios travados, como foi ontem (dia 31).
A aproximação do feriado no Brasil desta quarta-feira (2) e o bloqueio de diversas rodovias atuam como impeditivo de movimentação nos negócios.
Mercado internacional
No cenário internacional, a Bolsa de Chicago opera em baixa, em conjunto com a desvalorização do dólar frente ao real, o que deve limitar negócios voltados ao mercado externo.
Os contratos com entrega em dezembro de 2022 operam com baixa de 0,75 centavos em relação ao fechamento anterior, ou 0,10%, cotada a US$ 6,90 3/4 por bushel. O mercado realiza parte dos lucros acumulados ontem.
Conforme a Agência Reuters, os grãos seguem saindo para exportação de portos do Mar Negro, apesar da saída da Rússia do acordo, o que abre espaço para a correção. O bom ritmo de colheita nos Estados Unidos também causa perdas.
O movimento de baixa é limitado pela fraqueza do dólar frente a outras moedas correntes e pela alta do petróleo.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou relatório sobre a evolução da colheita das lavouras de milho.
Até 30 de outubro, a área colhida estava em 76%. Em igual período do ano passado o número era de 73%. A média para os últimos cinco anos é de 64%. Na semana anterior, o percentual era de 61 pontos. O mercado esperava número de 75%.