Pesquisa aponta viabilidade econômica da produção de lúpulo

    Segundo Uergs, trata-se do primeiro trabalho nacional com cenários simulados de financiamento bancário no cultivo

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    Porto Alegre é a cidade com maior número de cervejarias no país, segundo o Mapa. (foto - Seapdr-RS)

    Porto Alegre é a cidade com maior número de cervejarias no país, segundo o Mapa. (foto - Seapdr-RS)

    23deDezembrode2022ás17:38

    O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, mas ainda precisa importar o lúpulo para mais de 90% da produção nacional, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil).

    A informação acima parece nortear o e-book “Lúpulo gaúcho e cervejas artesanais”, organizado pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), e lançado esta semana com apoio da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (DDPA/Seapdr) do estado.

    Isso porque a publicação se dedica não só a estudas e mapear o setor cervejeiro, mas principalmente porque ela traça um panorama de estímulo ao cultivo do lúpulo para os próximos anos.

    E fa isso com números, inclusive. “O capítulo 3, sobre viabilidade econômica do lúpulo, é o primeiro trabalho em nível nacional que simula cenários com financiamento bancário para os produtores”, destaca o pesquisador Alexander Cenci, do DDPA.

    Os pesquisadores do DDPA participam da publicação com textos sobre o Projeto “Monitoramento e Desenvolvimento da Cultura do Lúpulo no Estado do Rio Grande do Sul”, desenvolvido desde 2020. 

    O Estado é hoje o segundo do ranking nacional em quantidade de registros de cervejarias, com 258, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Já Porto Alegre é a cidade com maior número de cervejarias no país, contando com 40 estabelecimentos.

    O Rio Grande do Sul ainda abriga nove dos dez municípios brasileiros com maior densidade de cervejarias por habitante. Ainda assim, São Paulo lidera em quantidade com 340 das 1549 cervejarias existentes pelo País.

    “O livro visa colaborar com a cadeia produtiva do lúpulo e traz os principais resultados do projeto de pesquisa “As Micro e Pequenas Cervejarias da Região da Serra Gaúcha: Autenticidade, Potencialidades e Perspectivas”, conta a responsável pela pesquisa e uma das organizadoras do livro, professora Eléia Righi, da Uergs.

    Diferentes abordagens

    Segundo ela, os estudos foram realizados a partir da abordagem de diferentes aspectos na produção e aplicação do lúpulo, tendo em vista que o cultivo para fins comerciais no Rio Grande do Sul é relativamente recente, e tem como foco o mercado cervejeiro artesanal nacional, que tem se expandido em ritmo acelerado.

    No texto, estão dados sobre o cultivo, pesquisas desenvolvidas sobre o assunto, a organização da cadeia, análise de viabilidade econômica e financeira da produção e uma proposta de inovação na produção de cervejas artesanais utilizando colágeno hidrolisado.

    O trabalho mostra ainda algumas curiosidades, como o registro de que o início da produção de lúpulo no Brasil ocorreu por volta de 1860, no Rio Grande do Sul, introduzido pelo barão alemão Von Steinberg.

    O livro também aponta os desafios para a cultura. “A produção de lúpulo nacional traz um cenário positivo aos produtores que enxergam as oportunidades do setor, embora demande investimentos”, afirma Eléia.

    Para a professora, são necessários estudos técnicos sobre a produção em terras brasileiras e também sobre viabilidade e mercado, além de incentivos fiscais e acesso ao crédito para o cultivo ser implantado com vigor no Brasil.

    O e-book está disponível gratuitamente no site da Uergs.

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