McKinsey: alta global de alimentos será revertida em tecnologia no campo

    Estudo mostra que 70% dos agricultores esperam lucros fiquem estáveis ou maiores até 2024

    Entre os agricultores brasileiros e argentinos, 66% já realizaram compras de insumos agrícolas por canais digitais. (foto - divulgação)

    Entre os agricultores brasileiros e argentinos, 66% já realizaram compras de insumos agrícolas por canais digitais. (foto - divulgação)

    12deJaneirode2023ás10:58

    A alta dos preços dos alimentos globalmente em 2022 será revertida em tecnologia nas fazendas. Essa é uma das principais conclusões do estudo da McKinsey & Company “Global Farmer Insights”, que entrevistou 5,5 mil produtores rurais de nove países.

    Otimistas com expectativas de lucro, os produtores da América do Norte e da Europa lideram a disposição de investir em maquinários agrícolas e os brasileiros, em produtos biológicos, entre as principais novas tendências tecnológicas.

    Segundo estudo da McKinsey, 70% dos agricultores esperam que as margens permaneçam estáveis ou aumentem apesar das incertezas. Diante delas, inclusive, muitos pretendem experimentar novos produtos para capturar a atual oportunidade de preço alto da safra e estarem mais preparados para os desafios do mercado.

    Na União Europeia, 62% dos produtores pretendem investir mais em tecnologias; na América do Norte (Estados Unidos e Canadá), 61%; na América do Sul (Brasil e Argentina), 50%; e na Ásia (China e Índia), 9%.

    Compras digitais

    A consultoria também identificou que o uso de vários canais de vendas está ganhando força, com os agricultores aumentando o uso e familiaridade com compras digitais.

    Aproximadamente 50% dos agricultores entrevistados já fazem compras digitais para pelo menos um produto, com a América do Sul se destacando como uma das primeiras a adotar os canais digitais.

    Entre os agricultores brasileiros e argentinos, 66% já realizaram compras de insumos agrícolas por canais digitais. Já América do Norte (EUA e Canadá), Europa e Ásia (China e Índia), os percentuais caem, respectivamente, para 54%, 53% e 20%.

    Serviços de manutenção de peças e equipamentos, maquinários de agricultura de precisão e software de gerenciamento agrícola são os principais produtos que os agricultores esperam comprar online nos próximos dois anos.

    Financiamento e pagamento digitais

    Outra tendência crescente é o financiamento e os pagamentos digitais por meio de novos produtos e serviços financeiros.

    Apesar disso, o dinheiro ainda é o principal método de pagamento para 60% dos agricultores em todo o mundo, mas o pagamento digital está surgindo como uma tendência importante.

    A China tem uma adoção particularmente alta de pagamento digital, usado por 66% dos agricultores chineses, em comparação com 30% globalmente.

    Taxas de juros, disponibilidade de recursos e custos de transação são os principais desafios para garantir o financiamento agrícola em todas as regiões, os prazos de pagamento também aumentam na Europa e na Ásia

    Preferências tecnológicas por região

    A inovação e a adoção de tecnologias na agricultura variam amplamente por região, indica o estudo da McKinsey.

    Os países ocidentais estão liderando a adoção de tecnologia agrícola, com o software de gerenciamento agrícola sendo a tecnologia de ponta, seguido por equipamento de agricultura de precisão.

    Contudo, a disposição em investir em tecnologia nos próximos dois anos é maior na América do Sul, com crescimento esperado na adoção de 8-9% em todas as tecnologias, enquanto a Ásia tem as taxas de adoção mais baixas.

    Pelo menos 20% dos agricultores globais estão usando ou planejando usar produtos biológicos: para controle de pragas, bioestimulantes ou biofertilizantes. Mas a adoção difere muito entre os países.

    Percepção sobre tecnologia e sustentabilidade

    Seundo a McKinsey, a adoção de práticas sustentáveis requer uma abordagem mais holística de produtores e fornecedores. Apesar da consciência das práticas de sustentabilidade, a adoção global ainda está abaixo de 50%.

    A participação em programas de carbono também é muito baixa devido ao ROI não ser alto o suficiente para os agricultores, à complexidade dos programas e à falta de alcance estendido, com apenas 5% dos produtores atualmente envolvidos em tais iniciativas globalmente.

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