Setores de carnes e café seriam mais favorecidos com Acordo Mercosul e União Europeia
Estudo inédito da ApexBrasil revela oportunidades para o agro e demais setores econonômicos
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Entre os países, Itália, Alemanha e Países Baixos podem ter maiores oportunidades aos exportadores brasileiros. (foto - ilustrativa)
O que o agro brasileiro pode ganhar com o acordo Mercosul – União Europeia? Esta é uma das perguntadas levantadas (e respondidas) em estudo inédito da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
A pesquisa, na verdade, concentra-se nas oportunidades para as exportações brasileiras caso o acordo, cujas negociações já duram 20 anos, finalmente seja colocado em prática – e não só no agro.
“A possível implementação desse acordo constituirá uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com população conjunta de cerca de 720 milhões de habitantes e PIB de US$ 19,2 trilhões em 2021, o que representa um quarto do PIB mundial”, destaca o estudo.
De volta ao foco no agro, a boa notícia é que a metodologia identificou oportunidades para as exportações de produtos brasileiros competitivos classificados na subseção “Produtos Alimentícios; Óleos animais e vegetais”.
Elas compreendem 17 códigos SH8 (oito dígitos)¹ que se beneficiarão de tratamento tarifário duty free em até 4 anos, após a possível ratificação do Acordo.
As oportunidades de mercado englobam 21 países do bloco e somam US$ 5,1 bilhões em importações médias anuais nos últimos cinco anos, cerca de US$ 240 milhões, em média, se originando do Brasil (market share brasileiro de 3,3%).
As exportações brasileiras desses produtos enfrentaram tarifas de importação entre 3,8% e 16%, implicando a taxação de produtos alimentícios brasileiros competitivos em cerca de US$ 25 milhões a cada ano – considerando uma média ponderada de 10,4%.
A partir da implementação do Acordo
A partir da implementação do Acordo, 4 códigos SH8 (12% das exportações médias anuais brasileiras, em valor) serão contemplados com desgravação imediata, enquanto os outros 13 códigos (88% das exportações) terão reduções tarifárias graduais até sua isenção após 4 anos.
Dentre os 21 países da União Europeia para os quais foram identificadas oportunidades para os produtos alimentícios, a Itália é o principal mercado em termos de valor importado do Brasil – há oportunidades para 7 códigos SH8.
A Alemanha é o segundo principal mercado (15 códigos SH8 contemplados) e os Países Baixos (Holanda) são o terceiro (9 produtos contemplados).
Além disso, os 17 códigos SH8 analisados compreendem 6 setores (divisões CUCI²). “Carne e preparações de carne” é o principal setor em termos de valor importado do Brasil, totalizando US$ 373 milhões para 3 códigos SH8 (US$ 93 milhões originários do Brasil).
A média ponderada das tarifas de importação aplicadas ao Brasil para esses códigos SH8 é 15,9%.
O segundo principal setor é “Café, chá, cacau, especiarias, e respectivos produtos”, cujas importações médias anuais agregadas somam US$ 1,39 bilhão (US$ 57 milhões, do Brasil) e a tarifa média ponderada aplicada ao Brasil é de 8,9%, para 3 códigos SH8 contemplados.
As classificações presentes neste estudo correspondem à taxonomia adotada pelo Ministério da Economia em suas bases de comércio internacional.
“O Estudo de Oportunidades de Mercado do Acordo de Associação Mercosul – União Europeia tem por objetivo destacar as oportunidades de mercado de curto prazo para os empresários brasileiros”, destaca a Apex.
“E entende-se que os setores mais competitivos no mercado europeu serão capazes de se beneficiar de oportunidades do Acordo no curto prazo. Da mesma forma, alguns produtos terão mais oportunidades que outros. Alguns produtos atualmente sujeitos a tarifas alfandegárias na União Europeia terão tratamento livre quando o Acordo de Associação entrar em vigor, enquanto outros ainda estarão sujeitos a cotas de importação ou serão gradualmente liberalizados de acordo com as cestas de desgravação.”