Brasil e EUA estudam parceria em pesquisas sobre clima em prol do agro

    Carlos Fávaro recebeu o assessor da presidência dos Estados Unidos, John Kerry

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    O ministro da Agricultura Pecuária, Carlos Fávaro, e o assessor da presidência dos Estados Unidos, John Kerry. (foto - Mapa)

    O ministro da Agricultura Pecuária, Carlos Fávaro, e o assessor da presidência dos Estados Unidos, John Kerry. (foto - Mapa)

    28deFevereirode2023ás09:48

    Com foco em ampliar as pesquisas voltadas ao agronegócio, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, recebeu ontem (dia 27), em Brasília, o assessor especial da Presidência dos Estados Unidos para o Clima, John Kerry. 

    O encontro dá sequência ao diálogo dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Joe Biden, no início do mês, quando o brasileiro visitou o país norte-americano para estudar formas de ampliar as relações bilaterais.

    No encontro desta segunda-feira, Fávaro propôs a cooperação técnica na área de pesquisa entre os países visando encontrar melhores práticas de produção agrícola. 

    “Os Estados Unidos têm a maior empresa de pesquisa de clima temperado e nós temos a maior empresa de pesquisa de clima tropical. Se nos unirmos, podemos, juntos, encontrar soluções cada vez mais inovadoras para aumentar a produção de alimentos com respeito ao Meio Ambiente”, detalhou o ministro.

    Ao afirmar que concorda “brutalmente” com as propostas apresentadas pelo Brasil para o desenvolvimento sustentável da agropecuária, à medida que inclui os produtores no sistema por meio do incentivo às boas práticas com linhas de crédito especiais, o enviado especial dos Estados Unidos destacou a importância da participação do setor no avanço da sustentabilidade.

    “Quanto mais fizerem em relação às boas práticas, mais trarão credibilidade para os agricultores e para o país”, ponderou John Kerry.

    Pauta sustentável

    Redução na emissão de metano na pecuária, utilização de energia limpa e combustíveis renováveis, com desenvolvimento técnico da expertise do Brasil e Estados Unidos na produção de etanol sendo expandido para outros continentes e adoção de práticas que encorajem à adoção de boas práticas pautaram a reunião.

    Na ocasião, Fávaro também aproveitou para apresentar os programas que já estão sendo desenvolvidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) visando o aumento da produção de alimentos livre de desmatamento e com redução na emissão de carbono, como o programa ABC do Plano Safra,

    Vale citar que o debate acerca da cooperação científica para o desenvolvimento agrosustentável terá continuidade em uma nova rodada de conversas a ser realizada nos Estados Unidos, em maio deste ano.

    Estados Unidos destacam importância do Brasil na exportações

    Na última semana, entre os dias 23 e 24, foram reveladas as projeções das exportações de produtos do agro brasileiro para os próximos 10 anos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

    E o cenário permanece favorável, especialmente para milho, soja e carnes (bovina, suína e de frango). Segundo estimativas dos Estados Unidos, as vendas externas de milho do Brasil devem passar de 47 milhões de toneladas (2022/23) para 69,1 milhões, em 2032/33.

    O Brasil passaria, então, a abastecer 30,7% das exportações mundiais, situadas hoje em 25,7%, devendo se igualar aos Estados Unidos no mesmo ano.  

    Já os embarques de soja brasileira para o próximo decênio chegarão a 130,4 milhões de toneladas do grão, enquanto os Estados Unidos, 60,3 milhões de toneladas, em um total mundial de 215,2 milhões de toneladas.

    Desta forma, a participação do país nas exportações mundiais de soja deverá aumentar de 53% para 60,6%, enquanto os Estados Unidos terão recuo na sua participação de 33% para 28%, entre 2022/23 e 2032/33. 

    No setor das carnes, o Brasil manterá a liderança mundial em carne bovina e de frango, com melhora na posição das vendas externas de carne suína, passando a terceiro maior exportador mundial, atrás de União Europeia e Estados Unidos. 

    Finalmente, o relatório projeta o Brasil ainda como importador de trigo na perspectiva para 2032/33. As importações devem alcançar 6,2 milhões de toneladas. 

    Os dados, apresentados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, constam no relatório das perspectivas agrícolas para 2032 apresentado no encontro anual Agricultural Outlook Forum 2023, na última semana, em Washington D.C., nos Estados Unidos. 

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