Câmara aprova acordo Mercosul-UE após articulação de Alckmin

    Acordo ainda depende de aval do Senado e de etapas internacionais antes de entrar em vigor

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    Câmara aprova acordo Mercosul-UE após articulação de Alckmin
    26deFevereirode2026ás10:01

    A  Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (25), os termos do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, dando mais um passo rumo a um marco comercial histórico na integração econômica entre os dois blocos.

    A deliberação ocorreu após reunião entre parlamentares e o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que atuou diretamente na articulação política da proposta.

    Com a aprovação, o texto segue agora para votação no plenário do Senado. O acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos de Argentina, Paraguai e Uruguai.

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    Do outro lado do Atlântico, o Parlamento Europeu solicitou ao Tribunal de Justiça da União Europeia uma avaliação jurídica sobre o acordo. A entrada em vigor só ocorrerá após a conclusão de todos os trâmites institucionais, processo que pode levar anos.

    A votação representa um avanço decisivo para a consolidação de um dos maiores acordos comerciais do mundo, com potencial para influenciar o agronegócio, a indústria e o setor de serviços no Brasil. Ainda assim, a federação formada por PSOL e Rede votou contra o texto.

    A aprovação contou com o apoio de lideranças governistas e de setores empresariais que veem no pacto uma oportunidade de ampliar a competitividade das exportações brasileiras, especialmente em produtos agrícolas como soja, carne, café e açúcar, além de fortalecer cadeias produtivas estratégicas.

    O texto tem 23 capítulos e trata da redução de tarifas de importação, da harmonização de regras comerciais e da possibilidade de adoção de salvaguardas para setores considerados sensíveis no Brasil.

    Pelo acordo, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Já a União Europeia retirará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

    O pacto cria uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, reunindo mais de 720 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado estimado em U$ 20 trilhões.

    Especialistas alertam que, embora o acordo represente uma oportunidade histórica de ampliar o comércio com a União Europeia, sua efetividade dependerá da capacidade do Brasil de avançar em reformas internas, modernizar a infraestrutura logística e investir de forma consistente em produtividade e agregação de valor.

    Haddad eleva tarifas para mais de mil produtos

    Na mesma semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, prestou esclarecimentos sobre a decisão de elevar tarifas de importação para mais de mil produtos, entre eles smartphones e equipamentos industriais como caldeiras, geradores, turbinas, fornos industriais, robôs, empilhadeiras, tratores, plataformas de perfuração, navios, aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos e equipamentos laboratoriais.

    Segundo o ministro, a elevação das tarifas busca proteger setores considerados sensíveis da economia brasileira. Haddad afirmou que mais de 90% dos itens atingidos são produzidos no país, o que, nas contas dele, tende a reduzir impactos diretos sobre o consumidor final.

    A medida pode reforçar o caixa da União em cerca de 14 bilhões de reais por ano, contribuindo para o cumprimento da meta fiscal de 2026, que prevê superávit primário de 34,3 bilhões de reais, com margem de tolerância para resultado zero e limite superior de 68,6 bilhões, conforme informou a Agência Brasil.

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