IPP tem alta de 0,29 em janeiro, diz IBGE

    Preços do setor de alimentos variaram em média 0,48%; laticínios é exceção, com alta de 5,86%

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    IPP do setor de laticínios teve variação para cima de 5,86%. (foto - Sistema CNA/Senar)

    IPP do setor de laticínios teve variação para cima de 5,86%. (foto - Sistema CNA/Senar)

    03deMarçode2023ás14:46

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (dia 30) alta de 0,29% no Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação. o resultado encerra uma série de cinco quedas consecutivas. 

    O IPP mede os preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange as grandes categorias econômicas: bens de capital, bens intermediários e bens de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis).

    As atividades industriais responsáveis pelas maiores influências no resultado foram as indústrias extrativas (0,42 p.p.), refino de petróleo e biocombustíveis (-0,18 p.p.), bebidas (0,12 p.p.) e alimentos (0,12 p.p.).

    Leite é destaque entre os alimentos

    De acordo com o IBGE, na comparação com dezembro de 2022, os preços dos alimentos variaram em média 0,48%, acentuando o aumento observado na passagem de novembro para dezembro (0,28%).

    O maior diferencial, entretanto, foi registrado para o setor de laticínios, cuja alta foi de 5,86%.

    Recentemente, análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, apontou que o preço do leite captado em janeiro subiu 5% na “Média Brasil”, chegando a R$ 2,6619/litro.

    O valor foi 17,6% maior que o registrado em janeiro do ano passado, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de janeiro/23).

    Trata-se, também, da maior média real para um mês de janeiro, considerando-se a série histórica do Cepea, iniciada em 2004.  

    Ainda segundo o Cepea, a elevação dos preços em janeiro é algo atípico, pois, historicamente, o começo do ano é marcado por baixas nas cotações, tendo em vista o aumento sazonal da produção.

    Contudo, neste início de 2023, verifica-se justamente o oposto: limitação da produção, em consequência do clima adverso, resultado do fenômeno La Niña. 

    Acima da média

    Segundo o IBGE, ficaram também acima da média mensal:  “moagem, fabricação de produtos amiláceos e de alimentos para animais” (1,39%) e “fabricação e refino de açúcar” (3,22%).

    Vale apontar, todavia, que os preços de “abate e fabricação de produtos de carne” tiveram queda na variação de -2,90%.

    Com isso, o acumulado do segmento em 12 meses, que fechará 2022 em 5,03%, avançou para 5,74%.

    O setor foi a quarta maior influência frente a janeiro de 2023 contra dezembro de 2022 (0,12 p.p., em 0,29%), e a primeira no acumulado em 12 meses (1,34 p.p., em 2,24%). 

    Industria Extrativas

    Esse foi o primeiro resultado positivo para as Indústrias extrativas desde maio de 2022, com variação de 9,62%, em média.

    Além disso, com o resultado de janeiro, o acumulado em 12 meses ficou em -7,85%, um pouco menos intenso do que aquele observado no fechamento de 2022, -7,92%.

    O destaque dado ao setor se deveu a que, entre todas as atividades das indústrias extrativas e de transformação, ele, na perspectiva da variação mensal, teve a variação mais intensa (e positiva), assim como a maior influência na mesma perspectiva (0,42 p.p., em 0,29%).

    Bebidas em alta

    Vale destacar também que, em janeiro, os preços do setor de bebidas aumentaram 5,30% em relação ao mês anterior, destacando-se como a segunda maior variação do mês e a terceira maior influência (0,12 p.p.) dentre as demais atividades.

    Esse resultado ainda se mostra como a terceira maior variação desde o início da série em 2010 (atrás de outubro de 2015 e setembro de 2014, com 9,57% e 7,08% respectivamente) e a maior variação para o mês de janeiro desta série.

    Na comparação com janeiro de 2022, verificou-se elevação de 16,54% dos preços. É a segunda maior variação dentre as demais atividades e mais um motivo de destaque do setor no mês. 

    IPP acumulado

    No acumulado em 12 meses o IPP chegou a 2,24%. Em janeiro, 14 das 24 atividades investigadas apresentaram variações positivas de preço ante dezembro de 2022.

    Em comparação, 11 atividades haviam apresentado maiores preços médios em dezembro em relação ao mês anterior.

    “O resultado de janeiro vem após um período de cinco meses seguidos de queda, período em que acumulou uma redução de 7,37% no IPP”, explica Murilo Alvim, analista do IPP.

    "Esse é o menor resultado positivo desde setembro de 2021 (0,25%). Há uma clara diferença entre as indústrias extrativas e as de transformação. Enquanto as de transformação continuaram com tendência de queda, as extrativas reverteram sete meses consecutivos de redução", completa.

    As quatro maiores variações foram em indústrias extrativas (9,62%); bebidas (5,30%); papel e celulose (-3,37%); e calçados e produtos de couro (-2,25%).

     

     

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