CNA classifica tarifaço de Trump como injustificável e cobra solução diplomática

    ABPA e setor de pescados alertam para prejuízos com tarifa dos EUA

    Por |
    CNA classifica tarifaço de Trump como injustificável e cobra solução diplomática
    10deJulhode2025ás16:14

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) classificou como injustificável a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados ao país.

    Em nota divulgada nesta quinta-feira (10), a entidade afirmou que a medida prejudica as economias de ambos os países e defendeu o uso dos canais diplomáticos para buscar uma solução.

    “Esta medida unilateral não se justifica pelo histórico das relações comerciais entre os dois países, que sempre se desenvolveram em clima de cooperação e de equilíbrio, em estrita conformidade com os melhores princípios do livre comércio internacional”, destacou a CNA.

    A confederação afirmou que, em mais de dois séculos de relações bilaterais, Brasil e Estados Unidos “sempre estiveram do mesmo lado” e que não há qualquer desequilíbrio comercial que justifique a medida.

    “Qualquer análise das relações entre os Estados Unidos e o Brasil, seja no campo do comércio ou dos investimentos, terá sempre que concluir que essas relações sempre serviram aos interesses dos dois países, não havendo nelas qualquer desequilíbrio injusto ou indesejável.”, diz a nota.

    A CNA também reforçou que a economia não deve ser influenciada por disputas políticas e que a saída para o impasse deve ocorrer por meio do diálogo entre governos e setor privado. 

    “Os produtores rurais brasileiros consideram que essas questões só podem ser resolvidas em benefício comum por meio do diálogo incessante e sem condições entre os governos e seus setores privados. A economia e o comércio não podem ser injustamente afetados por questões de natureza política.”

    A nota conclui com um apelo direto à diplomacia.

    “Nossa esperança é que os canais diplomáticos sejam intensamente acionados para que a razão e o pragmatismo se imponham para benefício de todos, pois este é o único caminho que serve ao entendimento e à prosperidade.”

     
     
     
     
     
    Ver esta publicação no Instagram
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Uma publicação partilhada por Sistema CNA Senar (@sistemacna)

    ABPA vê risco para cadeias de carne suína e ovos

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também se manifestou sobre a nova tarifa dos Estados Unidos, apontando riscos para segmentos importantes da exportação brasileira.

    De acordo com a entidade, os Estados Unidos são atualmente o 12º maior destino das exportações de carne suína, com 14,9 mil toneladas embarcadas entre janeiro e junho deste ano, resultando em receitas de US$ 31,6 milhões.

    No setor de ovos, o mercado norte-americano é o principal destino, com 15,2 mil toneladas exportadas no período e receita de US$ 33,1 milhões. O Brasil não exporta carne de frango para os Estados Unidos, segundo a assessoria de imprensa da ABPA.

    “O setor produtivo confia que as negociações se mantenham dentro do mais alto nível das tratativas comerciais e que tenhamos uma rápida solução diplomática, o que é uma tradição nas relações entre as duas nações”, informou a ABPA. 

    Os setores de carne bovina, laranja e café  já tinham se manifestado antes e também cobrou solução rápida.

    Aprosoja-MT: tarifa pode elevar custo dos alimentos e travar inovação

    A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) manifestou preocupação com os efeitos da tarifa sobre a competitividade do agronegócio. Segundo a entidade, a medida pode elevar o custo dos alimentos, pressionar a inflação e aprofundar a crise no campo.

    “Conflitos que não são nossos não podem gerar prejuízo aos brasileiros. É hora de buscar, com urgência, o caminho do diálogo diplomático”, alertou a Aprosoja.

    A entidade ressaltou que os Estados Unidos são parceiros estratégicos do Brasil, tanto na compra de produtos como carnes, café, suco de laranja e etanol de milho, quanto no fornecimento de insumos como diesel, gasolina, nafta e máquinas agrícolas.

    Com o aumento das exportações de carnes, cresce também o consumo interno de soja e milho para alimentação animal — especialmente em sistemas de ração, confinamento e suplementação nutricional.

    O encarecimento desses insumos pode elevar os custos de produção, pressionar a inflação e dificultar ainda mais o acesso ao crédito rural, já entre os mais caros da história recente. A Aprosoja alertou ainda que, se houver retaliação, o valor pode ser somado à tarifa de 50% já imposta pelos EUA.

    Pescado: tarifa atinge 70% das exportações do setor

    A Associação Brasileira da Indústria de Pescados (Abipesca), em nota assinada pelo presidente da entidade, Eduardo Lobo,  alertou que a medida compromete diretamente o setor aquícola do país. 

    “Essa medida terá um impacto significativo, especialmente no setor de produtos aquícolas, ocasionando perdas para uma cadeia que inclui desde pescadores artesanais até a aquicultura familiar”, afirmou Lobo. 

    Atualmente, o mercado norte-americano representa cerca de 70% das exportações brasileiras de pescados, com mais de US$ 240 milhões movimentados anualmente. A medida, segundo a Abipesca, ameaça milhares de empregos diretos e indiretos em todo o país.

    A entidade também destacou que o setor já enfrenta restrições mercadológicas históricas, que vêm sendo debatidas pela Abipesca em fóruns específicos, o que torna a nova tarifa ainda mais danosa. 

    Como alternativa, Lobo defende que o governo brasileiro acelere a abertura do mercado europeu, cuja morosidade nas negociações, segundo ele, demonstra a urgência de reduzir a dependência de um único destino.

    “Solicitamos que o governo brasileiro adote uma abordagem cautelosa e diplomática para resolver essa questão, evitando confrontos ou medidas retaliatórias que possam agravar a situação.”

     

     

    Temas nesta notícia